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quinta-feira, 20 de maio de 2010

MOÇAMBOLA-2010 - Conseguirá Salvado quebrar a invencibilidade de Conde?

Depois da preciosa vitória diante do Desportivo, na última ronda, o Ferroviário vai a mais uma prova de fogo desta feita diante do Maxaquene, encontro agendado para a tarde de amanhã, no Estádio da Machava, e que pode catapultá-lo assim como retrocedê-lo na sua invejável trajectória no Moçambola, prova na qual ainda não conheceu o sabor amargo da derrota e lidera isolado concluídas oito jornadas.

A questão que se coloca é se Arnaldo Salvado conseguirá quebrar a invencibilidade de Chiquinho Conde que, galvanizado pelas vitórias, vai se assumindo de jornada em jornada como autêntico candidato ao título.

Cada jogo tem a sua história, sendo que a tarde de amanhã será mais uma daquelas que vão proporcionar aos amantes do futebol momentos de grande emoção e de euforia, atendendo que estarão perante mais um encontro entre colossos do Moçambola.

Um dos factores que chama atenção e alimenta grandes expectativas à volta deste encontro é o facto de colocar frente-a-frente duas equipas que pela tradição figuram como candidatas ao título. O Ferroviário não quer perder a liderança e o Maxaquene de vista os lugares cimeiros, agora na terceira posição.

Os empates consentidos nas duas últimas rondas, respectivamente, frente ao Atlético e FC de Lichinga, trouxeram um revés aos “tricolores” que vinham num ritmo acelerado e promissor. Agora partilham o terceiro lugar com a HCB de Songo. A luta pelo terceiro posto vai animar a ronda em perspectiva, pois os tetenses partem igualmente para o terreno do Textáfrica que, por seu turno, vai tentar vingar-se da derrota frente ao Vilankulo FC, no pretérito fim-de-semana, e sair debaixo da linha da água.

Na mira da queda do campeão está a Liga Muçulmana que recebe o Atlético, a tentar sair debaixo da linha da água. Aliás, a perseguição da Liga ao líder vem se enraizando de jornada em jornada e, jogando em casa, tem todas as condições criadas para manietar o adversário, factor aliado à grande motivação que reina no conjunto depois da vitória bem conseguida no “inferno” de Songo, na anterior ronda.

Com jogos tanto ou quanto acessíveis, estão o Ferroviário da Beira e Desportivo que recebem o FC de Lichinga e Sporting da Beira, respectivamente. Os “locomotivas” beirenses, na quinta posição, ainda sonham com os lugares cimeiros e têm no encalço o Vilankulo FC que, por seu turno, se desloca à capital para o embate com o Matchedje. Este é também um jogo a ter em conta, porque vai envolver duas equipas com o mesmo nível e procuram defender a sua dignidade na prova.

O Ferroviário da Beira deve igualmente precaver-se na recepção ao FC de Lichinga, que tenta corrigir os erros cometidos no arranque e o empate na recepção aos “tricolores” foi um bom sinal.

Enquanto isso, o Desportivo e o Sporting da Beira que estava agendado para domingo, foi adiado para a próxima quarta-feira, a pedido dos “alvi-negros” que, amanhã, vão participar no Torneio Mpumalanga Premier Football Cup.

O Costa do Sol viaja para o reduto do Ferroviário de Pemba (25 de Junho, casa emprestada), “lanterna vermelha” do campeonato. Esta é mais uma oportunidade para os “canarinhos” distanciarem-se cada vez mais da zona da linha da água e recuperar o espaço perdido.

Jogos da nona jornada

Amanhã

Estádio da Machava

15.00 – Ferroviário-Maxaquene

Campo do Maxaquene (Baixa)

15.00 – Matchedje-Vilankulo FC

Domingo

Campo da Liga Muçulmana

15.00 – Liga Muçulmana-Atlético Muçulmano

Estádio Municipal de Pemba

15.00 – Fer. Pemba-Costa do Sol

Campo do Fer. Beira

15.00 – Fer. Beira-FC Lichinga

Campo da Soalpo

15.00 – Textáfrica-HCB de Songo

Texto: Michael Cesar (correspondente e colaborador do Desportugal em Moçambique)

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sábado, 10 de abril de 2010

MOÇAMBOLA-2010 - Maxaquene pode subir a líder provisoriamente

O Maxaquene, pode liderar provisoriamente o Moçambola-2010 esta tarde, em caso de vitória na recepção ao Sporting da Beira, às 15.00 horas, na abertura da terceira jornada da prova.

Os “tricolores”, com quatro pontos, entram em acção no mesmo dia em que o Atlético Muçulmano recebe Vilankulo FC, no Estádio Olympáfrica de Boane, com intenções de se “vingar” da pesada derrota (5-0), na ronda anterior, frente ao Costa do Sol.

No entanto, são previsões que podem ser anuladas pelas circunstâncias, atendendo que Sporting da Beira e Vilankulo FC não serão meros espectadores, para além de que, mesmo triunfando e consequentemente se igualando à dupla no comando, o seu sorriso pode ser provisório, em caso de desfecho favorável dos Ferroviários de Maputo e da Beira, que amanhã recebem, respectivamente, HCB de Songo e Desportivo.

Aliás, as expectativas à volta da terceira ronda estão essencialmente viradas para o embate entre “locomotivas” beirenses e “alvi-negros”, no Chiveve. Um teste bastante complicado para Akil Marcelino, que regressa ao seu anterior viveiro, onde será posto à prova pelos seus ex-pupilos.

Enquanto isso, o Ferroviário de Maputo terá pela frente um outro quebra-cabeças: HCB, “carrasco” do Costa do Sol na ronda inaugural e que foi a Vilankulo arrancar um nulo. No entanto, o factor casa pode beneficiar os “locomotivas” da capital, galvanizados pelo facto de não terem ainda provado o sabor amargo da derrota.

O Costa do Sol tem uma deslocação um tanto ou quanto difícil ao terreno emprestado ao FC Lichinga, o Estádio 25 de Junho, em Nampula, para o confronto com o representante da província do Niassa. Espevitados pelo retumbante triunfo perante o Atlético Muçulmano, os “canarinhos” vão lutar para não ficar distantes dos seus principais rivais.

O outro encontro que alimenta uma certa expectativa coloca frente-a-frente Textáfrica e Matchedje, equipas do mesmo nível. Jogando em casa, os “fabris” da Soalpo, que ainda não conheceram o sabor da vitória, têm todas as possibilidades de arrancar um resultado positivo, mas os “militares” têm um conjunto resistente e que não tem facilitado aos seus adversários.

Tranquila está a Liga Muçulmana, que recebe o Ferroviário de Pemba, formação que também não conheceu ainda o sabor da vitória e que é uma das mais frágeis desta competição.

Calendário da 3ª jornada

Hoje

Campo do Maxaquene (Machava)

15:00 – Maxaquene-Sporting da Beira

Estádio Olympáfrica (Boane)

15:00 – Atlético Muçulmano-Vilankulo FC

Amanhã

Estádio da Machava

15:00 – Fer. Maputo-HCB de Songo

Campo da Liga Muçulmana

15:00 – Liga Muçulmana-Fer. Pemba

Campo do Fer. Beira

15:00 – Fer. Beira-Desportivo

Campo da Soalpo

15:00 – Textáfrica-Matchedje

Estádio 25 de Junho

15:00 – FC Lichinga-Costa do Sol

Texto: Michael Cesar (correspondente e colaborador do Desportugal em Moçambique)

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quarta-feira, 10 de março de 2010

MOÇAMBOLA-2010 - LMF faz últimos acertos

A LIGA Moçambicana de Futebol (LMF) desdobra-se nos últimos acertos para que o Moçambola-2010 arranque sem sobressaltos, tendo, para o efeito, delegado membros seus para alguns pontos do país que vão acolher a festa do futebol nacional.

quinta-feira, 4 de março de 2010

FC Pipeline da Maforga: Abriu as suas oficinas semana finda

O FC Pipeline da Maforga, representante do distrito de Gondola, no Campeonato Provincial de Futebol, da província de Manica, foi a terceira formação que vai disputar esta prova a abrir as suas oficinas na passada segunda-feira.

Preparação para o Moçambola: Textáfrica de Chimoio – Sporting da Beira adiado devido a chuva

O Textáfrica de Chimoio, único representante da província de Manica, na maior prova do desporto – rei nacional, o Moçambola, a iniciar no dia 20 de Março corrente, está a noventa e cinco por cento da sua definição.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Supertaça : Céu volta a pintar-se de verde-e-branco


O Ferroviario de Maputo, começou o ano de 2010 da mesma forma como terminou a temporada passada: em festa. Mais um troféu, desta feita a Supertaça, foi encaixado na sua rica vitrina, após a histórica vitória, na tarde de ontem, sobre o Costa do Sol por 5-1.

O triunfo gordo não engana, pois os “locomotivas”, que na época passada fizeram a “dobradinha”, conquistando Moçambola e Taça de Moçambique, já começaram a carburar e os “canarinhos”, que ainda estão à procura do seu melhor onze, foram brutalmente atropelados.

Houve muito Ferroviário para muitíssimo pouco Costa do Sol. Tal facto foi evidente ao longo de quase todo o jogo. Os comandados de Chiquinho Conde, com um futebol muito mais mecanizado e dinâmico, foram sempre a equipa que se acercou mais da área contrária, procurando gizar a baliza à guarda de Antoninho. Houve momentos de jogo em que tudo funcionou na perfeição, com Whisky, Momed Hagy e Danito Parruque a formarem um triângulo de luxo que chegava e sobrava para alimentar o trio de ataque: Luís, Ítalo e Jerry, que estiveram, diga-se de passagem, numa tarde em grande.

Tirando a primeira meia-hora, período em que os “canarinhos”, mesmo sem brilharem, assumiram uma postura mais condizente com o seu estatuto, os “locomotivas” tiveram sempre o jogo na mão. Aliás, o Costa do Sol fez o único golo no seu melhor momento. Tó, a passe de Josimar, aproveita a desatenção dos “centrais” Jotamo e Tony para inaugurar o marcador, à passagem dos 37 minutos.

Enganou-se quem pensou que os “canarinhos”, galvanizados pelo golo, arrancariam para uma exibição que lhes valesse o troféu, porque funcionou justamente ao contrário. Foi o Ferroviário que, ferido no seu orgulho e no estatuto que goza de bicampeão nacional, se transfigurou por completo, como da água para o vinho, e, volvidos três minutos, Jerry fez o golo de empate, a passe de Luís.

Foi a partir do golo de empate que se começou-se a assistir a um verdadeiro “show” da turma “locomotiva”. Com a bola a circular de pé para pé, sempre rente à relva, o Ferroviário construiu uma goleada que não estava nas previsões nem dos mais pessimistas. Luís e Jerry, sempre muito perigosos no ataque, tiveram a oportunidade de colocar a turma verde-e-branca a ganhar por 3-1 ainda antes do intervalo. O destino assim o não quis, mas, afinal, o “massacre” estava mesmo reservado para a segunda parte.

Com uma equipa mais compacta e os sectores mais interligados, não dando qualquer espaço de manobra aos jogadores mais habilidosos da turma contrária, caso de Josimar, o Ferroviário assumiu por completo as rédeas do jogo. Por isso, não foi de estranhar que, aos 56 minutos, Luís, de cabeça, tenha colocado os “locomotivas” em vantagem.

O cerco se apertou ainda mais para os “canarinhos”, que não encontravam formas de se livrar da teia montada pelo adversário. Eram os pupilos de Chiquinho Conde a passear a sua classe e reduzindo o Costa do Sol a uma equipa modesta.

No dia em que o Ferroviário conquistou a Supertaça, Ítalo, a nova estrela do ataque, tratou de conquistar os adeptos. Foram fortes os aplausos ao brasileiro ido do Textáfrica de Chimoio, quando saiu para dar lugar a Michael.

Quer parecer que o “mister” o substituiu mais para ganhar aquela viva ovação, porque Ítalo estava a ser um dos melhores jogadores em campo e tinha marcado o terceiro golo, de cabeça, após cruzamento de Luís.

O tento do avançando brasileiro veio coroar o futebol de alto nível que os bicampeões nacionais estavam a praticar.

A tarde de ontem foi uma daquelas em que tudo correu de feição para os “locomotivas”. Parecia impossível algo sair errado. O dia permitia dar oportunidades aos que menos chances têm tido para se mostrarem. Michael, pouco utilizado na época passada, no Maxaquene, saltou do banco a meio da segunda parte e, na terceira vez que tocou na bola, desferiu de fora da área um remate forte e colocado que só parou no fundo da baliza de Antoninho, que não podia fazer nada para evitar o 4-1.

O extremo esquerdo deu mote para a goleada, que só viria a parar aos 90 minutos, mesmo no final, e por intermédio de Luís, que marcou o segundo na sua conta pessoal e o quinto para os “locomotivas”, os quais deixaram o campo do Costa do Sol com um sorriso rasgado.

Houve até quem dissesse que se tinha tratado de um bom ensaio para o jogo das Afrotaças, frete ao AC Mitsamoulis, das Comores na sexta-feira. O certo é que o “canário” foi humilhado no seu ninho, por uma “locomotiva” que poderia até ter construindo uma vitória mais volumosa, se não tivesse reduzido a aceleração em alguns períodos.

Texto: Michael Cesar (correspondente e colaborador do Desportugal em Moçambique)

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Futebol – Final do Torneio “O Treinador”: Heróis maxaquenenses


EM pleno 3 de Fevereiro, Dia dos Heróis Moçambicanos, os maxaquenenses foram os grandes heróis da primeira competição futebolística da temporada 2010, o Torneio “O Treinador”, cujo epílogo teve lugar ontem, no seu campo.

Numa final emocionante, apesar de as equipas terem evidenciado alguma ausência de entrosamento face à entrada de jogadores novos, o Maxaquene conquistou esta prova pela segunda vez consecutiva, mercê da sua vitória sobre o Ferroviário por uma bola sem resposta, tento da autoria do ex-atacante dos “locomotivas” do Chiveve, Tony, quando eram decorridos 69 minutos.

Tendo os “tricolores” como vencedores – receberam o respectivo troféu – o segundo lugar da prova coube aos campeões nacionais, o terceiro ao Matchedje e o quarto e último ao Desportivo.

Nesta altura do princípio da época, a principal curiosidade dos adeptos residia na identificação dos reforços, observar como a sua equipa actua e começar já a fazer conjecturas em relação ao futuro. No caso da partida de ontem, o facto de se tratar de uma final teve o seu peso e, nas quatro linhas, o empenho dos artistas foi irrefutável. Imprimindo velocidade ao desafio, ambos os conjuntos procuraram sempre estar próximos da baliza contrária, mas o que se viu, essencialmente, foi uma concentração do jogo na zona nevrálgica, onde se travaram grandes batalhas.

Mesmo assim, algumas fugas para a frente atacante eram protagonizadas, do lado “tricolor” por Tony, que parece estar a encaixar-se perfeitamente no esquema de jogo da turma de Arnaldo Salvado, Hélder Pelembe e Eboh; pela banda “locomotiva” através de Jerry, no entanto, sem grande impacto, pois a sua muleta Luís, incompreensivelmente, jogava longe do seu lugar habitual, daí que o apoio ao jovem ponta-de-lança acabava sendo produto da acção dos meio-campistas Danito Parruque, Momed Hagy e Ítalo, este último a fazer as delícias dos adeptos com os seus geniais toques de bola.

A desfrutar, globalmente, do maior quinhão de lances de ataque, o Maxaquene viria a construir a vitória num lance de extraordinário envolvimento de Tony, senão vejamos: primeiro, remata forte para uma defesa de recurso do guarda-redes Muhamad, cedendo pontapé de canto; depois, na sequência deste, a nova aquisição “tricolor” mete a cabeça à bola e atira vitoriosamente.

O esforço do Ferroviário para também chegar ao golo foi uma realidade, só que as duas formações, nessa altura, já jogavam com segundas equipas, devido às intermináveis substituições que efectuaram, para além das constantes paragens no jogo e sua consequente quebra de ritmo.

O juiz da partida, ao que tudo indica, ainda está de férias. Atrapalhou-se incrivelmente em relação às faltas, tendo os “tricolores” sido os mais prejudicados.

Ficha o Jogo

Maxaquene – Samito; Vovito, Dércio, Nito e Eusébio; Eládio (Kito), Alvarito (Mustafá) e Eboh (Liberty); Hélder (Clarêncio), Tony (Aníbal) e Macamito (Reginaldo)

Ferroviário – Pinto (Muhamad); Butana (Rafael), Zabula, Tony e Michael (Fred); Whisky, Momed Hagy (Valdo), Danito Parruque (Tchaka) e Ítalo (Mendes); Luís e Jerry (Imo)

Texto: Michael Cesar (correspondente e colaborador do Desportugal em Moçambique)

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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Taça de Moçambique mcel - “Locomotiva” arrasadora, faz dobradinha

Ferroviário de Maputo, 2-Costa do Sol, 0 : “Locomotiva” arrasadora

Depois de a duas semanas atrás ter conquistado o Moçambola-2009, sem dúvidas, Chiquinho Conde soube montar uma estratégia certa que deixou o Costa do Sol fora das suas capacidades habituais. Muito galvanizados, os “locomotivas” controlaram o jogo e demonstraram maturidade e experiência suficientes, tanto a atacar como a defender, deixando os “canarinhos” sem espaço de manobra.

Jogando abertamente ao ataque, o Ferroviário acabou colhendo os frutos muito cedo, numa altura em que o Costa do Sol ainda procurava assentar os pés no chão. Um remate-surpresa de Momed Hagy, fora da grande área, encontrou o guarda-redes Abú desprevenido, aos quatro minutos, facto que veio elevar os níveis de confiança dos campeões nacionais.

Com um meio-campo bastante batalhador, num dia em que Momed Hagy e Danito Parruque estavam nas suas reais capacidades, desdobrando-se extraordinariamente nas jogadas ofensivas e apoiando, quando necessário, a defensiva, o Ferroviário assumiu rapidamente o domínio do jogo e não tardou a aumentar a vantagem, aos 25 minutos, com Luís a fazer uma belíssima assistência a Mendes, para um remate vitorioso. Foi um autêntico golpe ao técnico João Chissano.

O Costa do Sol encontrou muitas dificuldades para chegar perfeitamente ao ataque, visto que houve uma vigilância cerrada às pedras mais em evidência no eixo ofensivo, nomeadamente Josimar, Rúben e Tó. O Ferroviário exercia maior pressão sobre o adversário, sobretudo quando este detinha a posse de bola, o que não dava espaço suficiente para os “canarinhos” poderem pensar melhor no seu jogo.

Josimar foi o único que, face ao seu poder de desequilíbrio, conseguiu furar a grande área e, quando menos se esperava, fazer o melhor passe para os seus companheiros do ataque. Porém, havia má interpretação dos seus passes, sobretudo por parte do ponta-de-lança Tó, que muitas vezes perdeu o esférico solicitado por Josimar, com frequentes rasgos da esquerda para a zona frontal da grande área.

Com este cenário, o Costa do Sol ficou sem hipóteses de chegar com sucesso à baliza defendida por Mahomed. Enquanto isso, o Ferroviário descia com muito perigo, valendo-se da inteligente forma como as suas pedras se iam movimentando no terreno, com frequentes trocas de posições no meio-campo e no ataque, facilitando assim a abertura de linhas de passe e circulação da bola, baralhando a defensiva “canarinha”.

No entanto, Luís não soube tirar proveito disso, desperdiçando inúmeras oportunidades que foram surgindo, sobretudo na etapa complementar, com o guarda-redes Abú pela frente.

O Costa do Sol fez um grande esforço para se reencontrar e, na segunda parte, conseguiu manter algum equilíbrio, mas a defensiva “locomotiva” estava em cima dos acontecimentos. Com estas dificuldades, coube a Josimar usar da sua capacidade individual e, numa das suas aventuras para o ataque, terá sido tocado por Butana, dentro da grande área, mas o árbitro da partida, João Armando, mandou o jogo prosseguir e exibiu o cartão amarelo ao jogador “canarinho”, considerando uma artimanha.

O mesmo Josimar por pouco acertava na baliza, num remate forte na sequência de um pontapé de canto, aos 53 minutos. Numa outra ocasião, foi Tó que terá sofrido um empurrão pelas costas, também na grande área, mas sem posse de bola, quando disputava o esférico centrado pela esquerda. João Armando estava perto do lance e mandou novamente prosseguir o jogo. O atacante Perry desperdiçou, mais adiante, uma assistência igualmente feita por Josimar, atirando ao lado, mesmo sem oposição, naquela que foi a última chance “canarinha”, a anteceder ao apito final de João Armando.

O juiz da partida teve uma boa actuação, apesar da aparente vista grossa naquele lance em que Josimar foi travado pelo defensor Butana. Esteve em cima dos acontecimentos e não influenciou no resultado.

FICHA TÉCNICA

Árbitro: João Armando, auxiliado por Agostinho Pelembe e Alfredo Sitoe. Quarto árbitro: António Costa.

Ferroviário de Maputo – Mahomed; Butana, Tony, Jotamo e Fred; Artur Manhiça (Tchaka), Momed Hagy, Whisky e Danito Parruque (Maurício), Luís e Mendes (Jair).

Costa Do Sol – Abú; Vasil, Inácio, Kito e Dito; Artur Comboio (Marufo), Mambo (Payó), Josimar e Silvério, Rúben e Tó.

Golos: 1-0, Momed Hagy (4 m); 2-0, Mendes (25 m).

Sou o homem mais feliz do mundo - Chiquinho Conde

No final do jogo, Chiquinho Conde era um homem super satisfeito. Não era caso para menos: tinha acabado de conquistar a Taça de Moçambique, depois de ter ganho o Moçambola. Questionado sobre o que lhe ia na alma, depois deste triunfo, encheu os pulmões para, alto e bom som, dizer:“Sou o homem mais feliz do mundo. Estou orgulhoso destes jogadores. É verdadeiramente um grupo de campeões, fizeram um grande jogo e justificaram a vitória”.

Afirmou ainda que a conquista da Taça de Moçambique veio mostrar, uma vez mais, o equilíbrio demonstrado pelo Ferroviário esta temporada.

“Vencemos as duas mais importantes provas nacionais e com todo o mérito. Soubemos sempre aguentar a pressão, algo que só está ao alcance das grandes equipas, e fechámos a época com chave de ouro”.

Questionado se continua no Ferroviário na próxima época, Chiquinho foi peremptório, respondendo que tem contrato até ao final do ano e que caberá à Direcção do clube decidir se orientará a equipa, ou não.

Texto: Michael Cesar (correspondente e colaborador do Desportugal em Moçambique)

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

MOÇAMBOLA-2009: Ferroviário x Desportivo, derby que decidirá o titulo nacional

Ferroviário carrega baterias em silêncio

O Ferroviário de Maputo adoptou a política de silêncio enquanto carrega baterias para o embate decisivo do próximo domingo, no Estádio da Machava, com o rival Desportivo. Os “locomotivas” querem manter um discurso linear e que não deturpe aquilo que é a sua estratégia para o mais aguardado embate que decidirá o campeão da presente edição do Moçambola. Chiquinho Conde não aceitou ceder qualquer declaração em relação à preparação da equipa e perspectivar o desafio de domingo na sessão de treino de ontem, reiterando que tudo o que diz respeito ao encontro com os “alvi-negros” será abordado esta manhã numa conferência de Imprensa que será orientada pela direcção do clube, tendo como pano de fundo o lançamento do jogo.

Aliás, é compreensível que o Ferroviário não queira deitar os seus trunfos para este jogo em mãos alheias, assim como o seu adversário. Aliás, o provérbio português é claro: “o segredo é a alma do negócio”. E é isto que implicitamente ficou nas pequenas declarações de Chiquinho Conde à nossa Reportagem antes do treino de ontem, no campo do Ferroviário da Baixa.

Intensidade e velocidade

Foi visível a preocupação de Chiquinho Conde em dotar a equipa de maior celeridade na abordagem do jogo, perfeição na execução do passe e frieza no momento de concretização. Face à importância deste jogo, o Ferroviário apresentou-se ontem com todo o seu “staff” e, da equipa usual, nenhuma ausência foi registada, sendo que todos os jogadores que integraram a Selecção Nacional no Torneio da COSAFA, no Zimbabwe, estiveram igualmente presentes, casos do guarda-redes Pinto, Danito Parruque, Momed Hagy, Whisky, Luís e Jerry.

Tudo ficou claro que não há nenhuma baixa na equipa principal, sendo que o guarda-redes Mahomed, Maurício, Tony Gravata, Jotamo, Butana, Artur Manhiça, Faife, Fredy, Mendes, Tchaka, Jair, Joca, Dário, Zabula também estiveram em acção.

O Ferroviário não terá ficado muito afectado com a paragem do Moçambola, uma vez que participou num torneio na Suazilândia, a convite de equipas locais, nomeadamente o Eleven Men e Mbambane Highlanders, às quais venceu por 5-1 e 1-0, respectivamente.

O torneio, que serviu para a inauguração de um pequeno estádio em Manzini, foi importante para os “locomotivas” manterem o ritmo competitivo, para além do facto de parte dos seus jogadores preponderantes terem participado no Torneio da COSAFA.

Desportivo fogoso e muito rematador

O treino do Desportivo decorreu ontem no campo do Costa do Sol num ritmo acelerado. À excepção de Secanhe, Josué e Abílio, lesionados, os restantes jogadores transpiraram a camisola numa sessão muito animada e competitiva. Nelinho, Mexer, Zainadine Júnior e Mayunda, que estiveram ao serviço da Selecção Nacional no Torneio da COSAFA, integraram o treino e mostraram-se em boa condição física e sobretudo moralizados para o triunfo da sua equipa.

O treino começou com o plantel repartido em grupos de oito jogadores a trocarem a bola ao primeiro toque e muito rapidamente. Foi uma espécie de aquecimento com bola e que deixou indicações de haver muita vontade e sede de jogar, algo que não é de estranhar visto que o Moçambola está interrompido há cerca de duas semanas e a ansiedade de alguns jogadores voltarem a competição é enorme.

Seguiu-se a uma sessão de apuro físico, mas sem bola, e com Artur Semedo a comandar as “operações”. Foi um treino que serviu para os jogadores aquecerem ainda mais a musculatura para uma sessão enérgica de remates à baliza de dentro e de fora da grande área. Houve um notável empenho de todos que procuraram violar as redes à guarda de Jaimito, uma novidade entre os postes, visto que esteve lesionado, e deixou mostras de estar em condições de ser mais uma opção do “mister” Semedo para o jogo de domingo. Para além de Jaimito, constituem opção Vítor e Marcelino, sendo que o último tem sido o titular.

Uma carta fora do baralho para o jogo com o Ferroviário é Secanhe, que tem ocupado o lado direito, após a lesão de Josué. Com duas baixas para o lado direito da defesa, é bem provável que Semedo faça alinhar Zainadine Júnior que já actuou nessa posição várias vezes.

Foi ainda possível ver o ensaio de algumas jogadas tácticas que Semedo poderá privilegiar ao longo do embate frente aos “locomotivas”.

O Desportivo volta a treinar esta manhã no campo do Maxaquene (baixa), sendo que na sexta-feira regressa no reduto dos “canarinhos” que devido à relva sintética é benéfico para ambientação dos jogadores se se atender que irão encontrar o mesmo piso no Estádio da Machava, palco que irá acolher o desafio da decisão do título.

Texto: Michael Cesar (correspondente e colaborador do Desportugal em Moçambique)

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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ferroviario de Maputo quase campeão do Moçamabola-2009

O Ferroviario de Maputo caminha a passos largos para a conquista do Moçamabola-2009. Ontem, em pleno Estádio da Machava, recebeu e venceu o Chingale, por 2-0, deslocando-se, deste modo, do Desportivo, que perdeu diante do Atlético Muçulmano, por 1-2. Com esta vitória, os “locomotivas” comandam a prova com 50 pontos, mais três que os “alvi-negros”.

O Costa do Sol e Liga Muçulmana, que à entrada desta ronda ainda sonhavam com o troféu, deitaram tudo abaixo, pois perderam na sua deslocação à Nampula e Chimoio, com o Ferroviário e Textáfrica, respectivamente, por 0-1 e 0-2. Portanto, a questão do título só será decidida na última ronda no sensacional Ferroviário de Maputo-Desportivo.

O Maxaquene, que há muito perdeu esperanças de ser campeão, sofreu na tarde de sábado, em casa, a sua pior derrota do ano (0-4) frente ao Ferroviário da Beira. Aliás, esta ronda foi bastante produtiva com os aflitos a saírem-se melhor, o que significa que os dois acompanhantes do Ferroviário de Nacala à despromoção só serão encontrados na derradeira ronda, a 26ª.

Como já o dissemos, o Ferroviário da capital do país comanda com 50 pontos, encontrando-se o Desportivo em segundo com menos três pontos. O Costa do Sol vai em terceiro com 44 e a Liga Muçulmana em quarto com 43.

Os “tricolores”, apesar da derrapagem, continuam em quinto com 39, enquanto a sensacional HCB mantém-se em sexto com 36, os mesmos do Ferroviário da Beira. Em oitavo e nono estão o Textáfrica e Atlético Muçulmano com 30 cada. O Chingale, FC Lichinga e Ferroviário de Nampula têm 28 cada e lutam pela sobrevivência na prova. O Ferroviário de Nacala, já despromovido, está na cauda com apenas 12 pontos.

Vou analisar dois jogos a comecar pelo Ferroviário de Maputo, 2 – Chingale, 0

O Ferroviario de Maputo só respirou de alívio na derradeira etapa frente ao Chingale, depois de uma primeira parte sombria. Jerry chamou a si a responsabilidade de tirar a equipa da letargia, naquele centro geométrico em que colocou Luís em vantagem sobre os “centrais” a desviar subtilmente para o fundo das malhas da baliza defendida por Jaime, aos 50 minutos.

Foi uma explosão de entusiasmo nas hostes “locomotivas” que, à margem da partida, iam acompanhando a situação dos outros concorrentes ao título, nomeadamente o Desportivo e Costa do Sol. A intranquilidade dentro e fora do rectângulo de jogo só viria finalmente a esfumar-se quando, noutro lance pouco claro, Arão Júnior assinalou grande penalidade considerando estorvo a Jerry por Frederico, quando este se preparava para invadir a baliza de Jaime, aos 80 minutos, tendo Momed Hagy convertido com êxito. A decisão de Arão Júnior foi um tanto ou quanto forçada, pois pareceu-nos não ter havido intenção do defensor tetense em travar o atacante “locomotiva”, mas só ele sabe o que terá acontecido, pois estava próximo da jogada.

O Ferroviário teve várias perdidas e, na única vez que acertou com a baliza, Mendes estava em posição de fora de jogo, aos 34 minutos.

Com o horizonte escuro, o Ferroviário veio do intervalo com a missão bem estudada, mas continuou a sofrer muita resistência. Com incapacidade de os homens mais adiantados tomar iniciativas individuais, as coisas continuaram a complicar-se. Mas, finalmente, Jerry foi prático ao, depois de uma “cavalgada” pela direita, cruzar geometricamente para a entrada certeira de Luís. O tento espevitou a equipa que, com maior intensidade, subiu frequentemente para o reduto do Chingale. Os golos não apareceram, porque continuou a faltar alguma inteligência e frieza nos atacantes. A outra ocasião soberba desperdiçada pelos “locomotivas” pertenceu a Jerry que, após remate de Luís, ganha a sobra, mas atirou alto na “boca” da baliza, aos 52 minutos.

Com estas fragilidades, as contas podiam ter saído mal, porque Mavó não descansava e sempre à espera de uma surpreendente fuga. Numa outra ocasião, em contra-ataque, rematou cruzado para a defesa bem tirada de Mahomed. A secundar, Magaba, após uma tabelinha com Mavó, do flanco direito, arrancou um remate forte que provocou calafrios, ao sair ligeiramente alto, aos 57 minutos.

A este lance seguiu-se a expulsão de Sérgio Faife do banco técnico, por mandar palavrões à equipa de arbitragem, liderada por Arão Júnior.

O Chingale não ficou psicologicamente afectado, lutou, mas sem sucesso. Aliás, o pendor ofensivo pertenceu, em grande medida, ao Ferroviário, na segunda parte.

Luís, num lance idêntico ao primeiro golo, desta vez com Fredy a centrar pela esquerda, desviou subtilmente e o esférico saiu lentamente quase a roçar o segundo poste.

Porém, o segundo golo acabou surgindo numa situação menos esperada, quando Arão Júnior assinalou grande penalidade a considerar um alegado toque a Jerry por Frederico, aos 80 minutos. O defesa acabou sendo expulso por acumulação de amarelos, enquanto Mahomed Hagy convertia com sucesso o castigo.

A decisão de Arão Júnior provocou muitos protestos do Chingale, agravaram-se após o apito final, quando os tetenses foram apupados pelos adeptos quando procuravam explicações sobre a expulsão do seu treinador e alegada influência de Arão Júnior. As contestações culminariam com algumas agressões, mas não de vulto.

Desportivo,1-Atlético Muçulmano,2 : recordem-se do ditado quanto mais velho melhor fica

Tudo começou às mil maravilhas para o Desportivo. Estavam decorridos apenas dois minutos e Mayunda num livre directo colocou a equipa “alvi-negra” a ganhar o Atlético Muçulmano, por 1-0. Os pupilos de Semedo não podiam ter melhor início. Parecia ser uma daquelas tardes em que a festa seria novamente a preto e branco, até porque nas bancadas a claque “alvi-negra” aplaudia efusivamente a sua equipa, e funcionava na perfeição como décimo segundo jogador.

Assistiu-se durante a primeira meia hora um Desportivo a mandar no jogo com Nelinho em bom plano, no meio-campo, enquanto pelas alas Mayunda e Muandro iam fazendo alguns rasgos notáveis. Mas, de um momento para o outro, as “águias” caíram de produção. Passaram do “céu para-inferno”. As unidades do meio-campo entraram num deserto de ideias e as jogadas já não saíam com a mesma precisão. A turma “alvi-negra” parecia apossada pela ansiedade em querer fazer tudo rápido para chegar ao golo da tranquilidade.

O mau momento dos “alvi-negros” constratava com a subida de forma do Atlético, que a espaços ia chegando com mais frequência à área contrária. Danito Nhamposse e Eboh eram os homens mais perigosos na equipa muçulmana. E foi no melhor momento que o Atlético, já sem Garrincha, treinador adjunto, que havia sido expulso do banco por palavras dirigidas à equipa de arbitragem, chegou ao golo do empate por intermédio de Danito Nhamposse, aos 39 minutos. Foi um golo de belo efeito do “kota” Danito, que, aproveitando uma falha de Mayunda, teve a calma necessária para aplicar um chapéu a Marcelino, que estava mal colocado entre os postes. Por uns instantes o 1º de Maio/Standard Bank “gelou”, já que não passava pela cabeça de nenhum “alvi-negro”, que depois de um começo fulgurante fosse terminar a primeira parte em apuros.

A segunda parte trouxe um Desportivo a mandar no jogo, nos primeiros minutos, à semelhança do que havia sucedido na primeira. Nelinho deu o primeiro sinal de perigo com um remate de fora da área. No entanto, as dificuldades para os “alvi-negros” construírem uma jogada com princípio, meio e fim eram evidentes, até porque doutro lado estava um opositor muito personalizado. Os comandados de Arnaldo Salvado souberam tirar proveito do nervosismo do adversário que numa procura destemida pelo golo da vitória cometia erros, sobretudo no último passe, facto que facilitava a vida à defesa contrária, muito bem liderada por Baúte.

O Desportivo já não conseguia explorar as alas. Tudo era feito de forma muito denunciada. Por outro lado, a equipa muçulmana criava perigo no contra-ataque e ameaçava “violar” a redes de Marcelino. E não se enganou quem anteviu que o Atlético podia num contra-ataque tornar o dia “alvi-negro” ainda mais tenebroso. Amade ganha a bola a Aníbal, à entrada do meio-ampo, endossa para Eboh, este livre de marcação corre isolado, invade a área contrária, desfere um remate que Marcelino não consegue suster. Na recarga Danito Nhamposse empurra para o segundo golo do Atlético. Estava assim consumada a cambalhota no marcador. Para tentar mudar o rumo dos acontecimentos, Semedo fez entrar Nelson, Imo e Sonito, mas este trio não foi suficiente para, pelo menos, o Desportivo chegar à igualdade.

Resultados e Classificação do Moçamabola 2009

Fer. Maputo-Chingale (2-0)
Desportivo-Atlético (1-2)
HCB-FC Lichinga (1-1)
Matchedje-Ferroviário de Nacala (2-1)
Textáfrica-Liga Muçulmana (2-0)
Maxaquene-Ferroviário da Beira (0-4)
Ferroviário de Nampula-Costa do Sol (1-0)

Classificação do Moçamabola-2009

1º FER. MAPUTO 25 jogos, 50 pontos
2º Desportivo 25, 47
3º Costa do Sol 25, 44
4º Liga Muçulmana 25, 43
5º Maxaquene 25, 39
6º HCB de Songo 25, 36
7º Ferroviário da Beira 25, 36
8º Matchedje 25, 33
9º Textáfrica 25, 30
10º Atlético Muçulmano 25, 30
11º Chingale 25, 28
12º FC Lichinga 25, 28
13º Ferroviário de Nampula 25, 28
14º Ferroviário de Nacala 25, 12

Última jornada do Moçamabola-2009

FC Lichinga-Atlético
Fer. Beira-Textáfrica
Fer. Nacala-HCB
Liga Muçulmana-Matchedje
Costa do Sol-Maxaquene
Chingale-Fer. Nampula
Fer. Maputo-Desportivo

Texto: Michael Cesar (correspondente e colaborador do Desportugal em Moçambique)


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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Moçambola-2009: 24a jornada, Ponta final extraordinária, lideres perdem



A ponta final do Moçambola-2009 vai ser imprópria para cardíacos se se tiver em conta que na jornada de ontem, portanto a antepenúltima, os da linha da frente perderam e os da cauda galgaram terreno. É caso para dizer que as próximas duas rondas serão de lágrimas! O Desportivo e o Ferroviário de Maputo apanharam pela mesma tabela.

Os “alvi-negros” em Tete frente ao Chingale, por 1-2, e os “locomotivas” em Maputo diante do Costa do Sol, por 0-1. Foi uma tarde em cheio para a família “canarinha”, não é? Mas o que consola os dois é que continuam colados no comando com 47 pontos e por sinal na próxima jornada ambos jogam em casa.

Se no topo houve choramingos, cá na cauda houve festa, pois alguns dos aflitos subiram alguns degraus com destaque para o Textáfrica e Chingale que se livraram (momentaneamente?) dos lugares de sufoco, quer dizer, os de despromoção. Mas vamos aos resultados: o Maxaquene, que matematicamente ainda sonhava com o título, sucumbiu (1-2) diante da Liga Muçulmana, que ontem regressou às vitórias depois da saída do Professor Neca.

O Matchedje foi a Lichinga empatar sem abertura de contagem, enquanto o Textáfrica arrecadava três preciosos pontos (3-2) frente ao já despromovido, mas aguerrido, Ferroviário de Nacala. Os “locomotivas” beirenses enterraram cada vez mais os seus homónimos de Nampula (1-0). A HCB veio a Maputo empatar com o aflito Atlético Muçulmano.

A próxima ronda contempla os encontros Desportivo-Atlético Muçulmano, HCB-FC Lichinga, Matchedje-Ferroviário de Nacala, Textáfrica-Liga Muçulmana, Maxaquene-Ferroviário da Beira, Ferroviário de Nampula-Costa do Sol e Ferroviário de Maputo-Chingale.

Vou iniciar pelo derby da jornada 24 da Liga Nacional que pos frente-a-frente o Costa do Sol e os Locomotivas de Maputo.

Costa do Sol, 1-Fer. Maputo, 0: Ruben, quem mais


O Costa do Sol entrou bastante pressionante. Colocou todo o seu arsenal virado para a baliza de Muhamed e criou sempre espaços vazios, aproveitando, muito bem, a velocidade pelos flancos de Josimar, Marufo, Tó e, por vezes, Silvério. Ruben aparecia nas costas e era o verdadeiro “maestro”. Era ele que rodopiava e abria espaços vazios com aqueles seus pezinhos de lã, mas de grande obreiro. Dito, era o outro jogador que aparecia em cunha, ficando Mambo para as compensações no grande círculo. João, Kito e Jonas eram autênticos bombeiros, com o segundo a ir sempre à “racha”.

O Ferroviário tremia. Danito Parruque enchia o campo, bem secundado por Hagy. Mas era Mendes que dava mais nas vistas com alguns rasgos individuais que faziam vibrar os adversários. Na frente estava a dupla Luís/Jerry a tentar as penetrações. Mas os espaços estavam tão fechados que nem uma agulha podia penetrar. Na retaguarda, Tony comandava a defensiva, onde Jotamo, Zabula e Fredy não permitiam brincadeiras.

O Costa do Sol sempre que fosse ao ataque o fazia com muito perigo. E numa dessas subidas, aos 28 minutos, Ruben - este grande jogador! – penetrou pela esquerda. Levantou a cabeça. Viu que os companheiros estavam ligeiramente atrasados. Arriscou com um remate/cruzamento em arco. A bola, na trajectória, embateu no pé de um defesa e rapidamente mudou de direcção, traindo, deste modo, o guarda-redes. Era verdadeira festa “canarinha”.

O Ferroviário foi à busca da igualdade. Mendes, inconformado, foi a todas e por duas vezes obrigou Antoninho a defesas de recurso. O mesmo Antoninho evitou um golo certo com um mergulho espectacular à segunda tentativa, a tirar a bola da ponta da bota de Mendes.

No reatamento, viu-se apenas o Ferroviário sufocou o adversário. Mas há que ter em conta que o Costa do Sol jogava o que lhe convinha, porque sabia que estava em vantagem e tinha que ter muitas cautelas para não permitir o empate. Nalguns casos, embora de forma exagerada, os seus jogadores simularam lesões para ganharem tempo. Aqui, questiona-se ao árbitro: afinal para que servem os cartões que leva no bolso?

A dupla Luís/Jerry não atinava como de costume. Chiquinho Conde injectava sangue novo e acenava constantemente para que a bola fosse rapidamente transportada para a área contrária.

João Chissano respondia também com algumas substituições, sendo a que mais produziu efeitos, a de Artur Comboio, que com a sua experiência, veio controlar o meio-campo do lado direito.

Já na ponta final, Josimar entrou na área. Levantou a bola para a zona dos braços de Jotamo. O público reclamou penalte. Terá existido? Julgamos que o árbitro estava ali pertinho e decidiu por aquilo que viu.

Mas a história estava escrita: o Costa do Sol iria ganhar por 1-0. E… ganhou mesmo!

Chingale, 2 – Desportivo, 1 : Mavô, quanto mais velho mais saboroso fica

O certo é que o veterano avançado torturou Secanhe até limites inadmissíveis quanto penosos. E foi numa dessas torturas que Mavô passou por Secanhe, galgou bons metros como se fosse um menino e perante a saída desesperada de Marcelino inaugurou o marcador. Estavam jogados 28 minutos.

O Desportivo não se aquietou. Pelo contrário, forçou ainda mais o ataque, empurrando o Chingale para a sua própria grande área. Foi nesta toada que os “alvi-negros” ganharam três cantos consecutivos, sendo que no terceiro o esférico foi desviado por um defesa tetense sobre a linha de golo. E, aos 34 minutos, quando se aguardava pelo empate, Mavô voltou a desgraçar Secanhe isolando-se, perdendo o duelo a favor de Marcelino aos 47 minutos.

O Desportivo iguala o marcador por Mexer, que saltou à vontade na grande área cabeceando sem hipóteses para Jaime, depois de um canto cobrado à direita.

A segunda parte abriu com Binó a rematar torto, quando tinha tudo para desempatar a contenda. No ataque seguinte, Muandro desviou sem direcção após um cruzamento perigoso do enérgico Zainadine Jr.

O Desportivo continuou a pressionar, colocando muitos jogadores no terreno adversário. Incómodo mesmo continuava a ser Mavô, ainda que na segunda metade tenha tido em Mexer um opositor à altura do seu nível. Aos 72 minutos, Hagy é desmarcado à direita, batendo os defesas “alvi-negros” em velocidade, e bateu Marcelino sem dó nem piedade, fixando o resultado final.

Os pupilos de Semedo não se conformaram. Assaltaram o meio-campo do Chingale, que apostava em tudo para manter o resultado, incluindo o recurso a antijogo. Nelson ainda teve a igualdade nos pés, mas rematou fraco para a defesa de Kingsley, que entrara para o lugar do lesionado Jaime.

Ferroviário de Nacala, 2 – Textáfrica, 3: Atrás do prejuízo

Foi correndo atrás do prejuízo que o Textáfrica saiu ontem, do campo 25 de Junho, com os três pontos. Mesmo sem dominar o adversário, os “fabris” sempre reagiram depois de sofrer um golo.

A histária do jogo resume-se, aliás, a uma segunda parte com cinco golos e a uma péssima arbitragem. O primeiro aviso foi mesmo do Ferroviário de Nacala que, só não saiu com melhor resultado porque permitiu sempre que o adversário lhe surpreendesse.

Camate, aos 54 minutos, depois de um belíssimo trabalho individual, na ala esquerda do seu ataque, rematou forte para as malhas laterais que, no entanto, estavam furadas. A bola ficou dentro da baliza e o público gritou golo mas não era.

Aos 57 minutos, Romão inaugura o marcador para os nacalenses, mas três minutos depois o Textáfrica reage bem e chega à igualdade, só que o árbitro Filimão Filipe invalida o golo alegando posição de fora-de-jogo que, quanto a nós, não existiu.

A pressão dos “fabris” de Chimoio foi crescendo e os donos da casa já queriam defender-se do magro 1-0. Foi assim que Italó fez a igualdade. Só assim os “locomotivas” viram que afinal era preciso continuar a jogar de igual para igual e aos 79 minutos Dulá fez o 2-1.
Correndo mais uma vez atras do prejuízo, o Textáfrica foi atacando mais e numa dessas jogadas o dianteiro Tume deixa-se cair dentro da área e o árbitro aponta a marca de penalte que sinceramente não existiu. Estava feito o empate por intermédio de Corado aos 86 minutos.

Já por cima dos 90 regulamentares Italó bisou para o golo da vitária numa fífia da defensiva do Ferroviário.

Liga Muçulmana, 2 – Maxaquene, 1: Liga volta respirar

A vitoria da Liga Muçulmana sobre o Maxaquene, mostrou que estao acordados e que pretendem lutar pelo tituolo. Em duas ocasiões, em que o Maxaquene se deu mal na defensiva, os “muçulmanos” carimbaram a vitória que lhes permitiu encurtar a distância que lhes separa da liderança partilhada pelo Desportivo e Ferroviário de Maputo.

O Maxaquene não mereceu este descalabro, mas acabou pagando caro pelos erros que cometeu, a começar com a oferta de Kiki a Vling, uma demonstração de falta de capacidade técnica, ao travar o esférico para o adversário que, encostado à esquerda da grande área, atirou forte para o ângulo oposto, sem hipóteses de defesa para o guarda-redes Soarito. Decorriam 36 minutos.

O Maxaquene acusou de início a incapacidade de colocar a bola sobre os seus atacantes, nomeadamente Hélder Pelembe e Liberty, bem vigiados pela tripla de centrais Aguiar, Marito e Sulemane. Enquanto isso, a Liga Muçulmana aproveitou a velocidade dos seus alas, muito pelo corredor esquerdo, onde estava posicionado Vling, muito bem apoiado por Sulemane, que apareceu muitas vezes a despejar as bolas para a área, obrigando a defensiva “tricolor” a grandes intervenções para repelir o perigo.

Com este esforço, a Liga Muçulmana conseguiu, por algumas vezes, lançar as suas “flechas”, designadamente Massitana e Maurício, contra o “keeper” Soarito, que não esteve nos seus melhores dias. Precipitou-se nas saídas e numa delas acabou sendo antecipado por Maurício, que fez o segundo para o infortúnio dos “tricolores”.

A Liga sentiu alguma tranquilidade, mas imediatamente posta em causa quando, naquilo que foi a jogada mais vistosa dos “tricolores” na primeira parte, Jumisse, inclinado à direita da grande área, atirou a visar em cima dos 45 minutos.

O jogo foi deste modo relançado e, no regresso para a segunda, o Maxaquene assumiu uma nova postura: muita velocidade na circulação da bola e movimentação das suas pedras com olhos para a baliza de Lama. Com esta forma de estar, os “tricolores” ganharam a luta no meio -campo e a defensiva foi chamada para grandes intervenções. O “central” Marito, uma das pedras elementares na defensiva “muçulmana” foi forçado a cometer algumas faltas, mas não houve melhor aproveitamento do livre batido junto à linha limite da grande área.

Todo o batalhão “tricolor” havia se atirado para o ataque e muitos remates surgiram, com realce para aqueles “tiros” de Hélder Pelembe e por Mustafá. Mas a história estava escrita e o golo de empate não apareceu até ao apito final.

Texto: Michael Cesar (correspondente e colaborador do Desportugal em Moçambique)


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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

MOÇAMBOLA-2009 - Campira e Eurico expulsos do Maxaquene

Apesar de se tratar de jogadores preponderantes, a Direcção do Maxaquene quer ser exemplar e não pactuar com actos de indisciplina e outros atentatórios à estabilidade da equipa, particularmente nesta altura crucial do Moçambola-2009. Esta é, pois, a razão invocada para a expulsão do defesa Campira e do avançado Eurico da família “tricolor”, facto que ocorreu há dias e ontem confirmada ao nosso Jornal por uma fonte da colectividade.

Acusados de indisciplina grosseira, traduzida na apresentação às instalações do clube em estado de embriaguez, faltas aos treinos e aos jogos sem qualquer justificação, entre outros casos graves, Campira e Eurico acabaram por ser literalmente afastados do Maxaquene, pois o seu comportamento era tão nocivo que já começava a criar alguns problemas no seio do plantel.

O caso de Campira, em particular, ganhou contornos gravosos na recente deslocação dos “tricolores” a Tete, para defrontar a HCB de Songo. Na ocasião, segundo nos contaram, o defesa ter-se-ia apresentado no Aeroporto Internacional do Maputo com visíveis sinais de embriaguez, facto que irritou a equipa técnica, os colegas e os dirigentes que acompanhavam a equipa.

Como primeira sanção, Campira e Eurico, este último com outros motivos de indisciplina, foram suspensos, enquanto o processo disciplinar instaurado seguia os seus trâmites legais. Concluído, a Direcção do Maxaquene não teve contemplações: imediata rescisão dos contratos e consequente expulsão do clube.

Professor Neca já não é treinador da Liga Muçulmana

A apenas três jornadas da conclusão do Moçambola-2009 e numa altura em que vários prognósticos e conjecturas são avançados em relação ao nome do futuro campeão, há mudança de treinador num dos candidatos ao título, a Liga Muçulmana. O técnico português Neca, de seu nome completo Manuel Gomes, deixou, ontem, de ser o timoneiro desta equipa, em face da avalanche de maus resultados registados nesta etapa crucial da prova, situação que terá colocado os “muçulmanos” longe dos lugares cimeiros.

Fonte do clube revelou que o Prof. Neca colocou o seu lugar à disposição, aparentemente em reconhecimento do descalabro nos seus objectivos, dado que, após meritoriamente a Liga Muçulmana ter estado na liderança do campeonato durante várias jornadas, de repente e incompreensivelmente caiu de forma drástica, com sucessivas derrotas que acabaram pondo em causa a sua possibilidade de se sagrar campeão.

A posição do “mister” foi corroborada pela Direcção do clube, tendo as partes optado por uma rescisão do contrato por mútuo acordo e de forma amigável, estado este, aliás, que norteou o seu relacionamento ao longo do período em que Neca esteve à frente dos destinos da Liga Muçulmana.

Nesta segunda volta, em particular, para além de terem perdido com os outros concorrentes ao título, designadamente Desportivo, Costa do Sol e Ferroviário, os “muçulmanos” sucumbiram perante Chingale e Ferroviário de Nampula, duas formações com a corda ao pescoço. Aliás, se o clube ainda mantinha acesa alguma esperança, a derrota no Estádio 25 de Junho, na ronda passada, terá agitado a situação, culminando com o afastamento do treinador por livre e espontânea vontade.

A Direcção da Liga Muçulmana aceitou o pedido de demissão de Neca, tendo, para o seu lugar, chamado interinamente o adjunto Miguel dos Santos, que para já tem a nobre missão de, não havendo hipóteses de conquistar a prova, pelo menos terminar nos lugares cimeiros, de forma que não se deite abaixo todo o excelente trabalho levado a cabo pelo clube, neste seu terceiro ano no Moçambola.

Nas últimas três jornadas da competição, ainda em falta, os “muçulmanos” defrontam, sucessivamente Maxaquene Textáfrica, no Chimoio, e Matchedje. Na classificação, somam 40 pontos, atrás da dupla da liderança Desportivo e Ferroviário com 47 e do Costa do Sol com 41.

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Texto: Michael Cesar (correspondente e colaborador do Desportugal em Moçambique)


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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Moçambola-2009: a 3 jornadas do fim, luta acesa pelo título


O Desportivo e o Ferroviário de Maputo continuam de mãos dadas na luta pelo título do Moçambola com 47 pontos. Na ronda do fim-de-semana ambos saíram vitoriosos. Os “alvi-negros” derrotaram na tarde de sábado HCB, por 2-1, enquanto os “locomotivas” bateram ontem o seu homónimo da Beira, por uma bola sem resposta.

O Costa do Sol, por seu turno, atrasou-se ao consentir um empate em Tete diante do Chingale sem abertura de contagem e tem 41 pontos, mais um que a Liga Muçulmana, que na sua deslocação a Nampula perdeu por 0-2 frente ao Ferroviário local.

O Maxaquene teve que transpirar para derrotar o já despromovido Ferroviário de Nacala, por 2-1, resultado também conseguido pelo Textáfrica, em casa, frente ao FC Lichinga. O Matchedje, que continua a lutar pela manutenção, venceu na tarde de sábado o Atlético Muçulmano, por 1-0.

Se a luta pelo título continua bem acesa, cá na cauda também continua a batalha pela salvação. À excepção do Ferroviário de Nacala que na próxima época vai jogar nos “quarteirões”, o Textáfrica, Ferroviário de Nampula, Chingale, Atlético e FC Lichinga travam uma batalha campal pela manutenção e tudo indica que até às derradeiras jornadas estaremos em presença de duelos.

A próxima ronda é de grandes embates com destaque para o Costa do Sol-Ferroviário de Maputo, enquanto o Desportivo desloca-se a Tete, onde lhe aguarda o Chingale. A Liga Muçulmana recebe o Maxaquene.

O Textáfrica e o Matchedje têm deslocações de grande risco a Nampula e Lichinga, respectivamente. O Ferroviário da Beira joga em casa com o seu homónimo de Nampula. O Atlético terá a visita do HCB.

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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

MOÇAMBOLA-2009: 21ª jornada - Águia com plumas de pavão, isola-se no topo

Águia com plumas de pavão, firme, determinada e isolada no comando do Moçambola-2009. Uma liderança conquistada com brio e de forma extraordinária pelo Desportivo de Maputo, que pedra a pedra vão construindo o seu castelo e com uma vantagem de 2 pontos sobre o segundo classificado. Entre os 4 primeiros da frente e sérios candidatos ao título, a 21ª jornada do Campeonato Nacional somente foi madrasta para a Liga Muçulmana, dado que os outros 3 ganharam.

Para além do Desportivo, o Ferroviário de Maputo também venceu (1-0), no Estádio da Machava, ao “lanterna vermelha”, Ferroviário de Nacala. Renascido para a lição, o Costa do Sol desfeitou o aguerrido Ferroviário da Beira (3-0) devido a obra e exibição do mais alto nível. Em festa está, pois, este triunvirato, contrastando com a melancolia da Liga Muçulmana, que sofreu um duro revés nas suas contas, ao perder diante do Chingale por uma bola sem resposta.
Está bastante interessante a escadinha dos números, senão vejamos: Desportivo 43 pontos, Ferroviário 41, Liga Muçulmana 40 e Costa do Sol 39, numa altura em que estes concorrentes ao título se preparam para um renhido frente-a-frente, na próxima jornada, compreendendo os embates Costa do Sol-Desportivo e Liga Muçulmana-Ferroviário.

A seguir aos quatro surge um Maxaquene que, apesar das complicações frente ao Atlético Muçulmano acabou vencendo (1-0), mesmo resultado obtido nos desafios Textáfrica-HCB de Songo, a favor dos “fabris” da Soalpo, e Ferroviário de Nampula-FC Lichinga, para os de Niassa, numa ronda que não se registou empates e à excepção dos “canarinhos” que marcaram três tentos, todos os outros vencedores fizeram-no por uma bola sem resposta.

Costa do Sol, 3-Fer. Beira, 0 - Este canário é mesmo um regalo!

Quem olha para a face dos adeptos do Costa do Sol, hoje, não tem rigorosamente nada a ver com aquela que apresentavam há algumas jornadas. A mágoa e o desgosto foram substituídos por largos sorrisos, até porque a esperança em relação ao título renasceu e vai ganhando cada vez mais consistência. Não foram apenas os três golos que expressaram a magnificência da turma de João Chissano, mas também a sua exuberante exibição, numa tarde em que as suas estrelas realmente cintilaram.

A entrada do Costa do Sol foi autenticamente demolidora. Não quis oferecer tempo ao adversário para este pensar e se organizar, conhecida a ratice de Akil Marcelino e seus pupilos. Até porque os “canarinhos” guardavam más recordações dos beirenses. Vai daí o incessante fulminar da baliza à guarda de Gervásio, com Tó, Marrufo, Ruben, Josimar e Silvério a baralharem por completo a retaguarda contrária.


Fechando toda a zona à volta da grande área, de forma a evitar as infiltrações dos tecnicistas “canarinhos”, pois com a bola nos pés são grandes desequilibradores, os “locomotivas” saíam bem da sua retaguarda, usando com frequência o flanco direito, através do estratega Barrigana. Porém, as solicitações ao perigoso atacante Tony não produziam o efeito desejado, uma vez que Jonas, sobretudo este, e Kito, se encarregavam se secá-lo por completo.
Se até aqui, para os beirenses, tudo se desenrolava a contento, contando ainda com o auxílio do árbitro, que lhes perdoou duas grandes penalidades, a expulsão de Barrigana, aos 40’, na sequência de uma entrada muito feia sobre Dito, veio ditar o início do calvário, pois, por um lado, a equipa perdeu um elemento importante no eixo atacante, e, por outro, o Costa do Sol, 5’ depois, abriu o activo, por intermédio de Tó.

O bom futebol foi sendo premiado com golos, no início do segundo tempo. Silvério, o melhor entre os 22, aumentou o “score”, para depois Kito, na sequência de uma extraordinária desmarcação pela direita e de um remate fulminante fechar com chave de ouro.

Fer. de Maputo, 1 – Fer. de Nacala, 0 - Pesou a mão dos deuses

O Ferroviário de Maputo continua a enfrentar sérios problemas de finalização e numa altura em que a luta pela pontuação é bastante renhida, com os “pequenos” a se tornarem cada vez mais perigosos para os “grandes”.É caso para dizer que os “locomotivas” tiveram que recorrer aos deuses para saírem ontem vitoriosos diante do seu homónimo de Nacala, no Estádio da Machava.
Os “locomotivas” voltaram a cometer erros de palmatória ao desperdiçarem inúmeras oportunidades, com Jerry a acusar, mais uma vez, falta de destreza perante as diversas solicitações para bater o guarda-redes Cláudio, que foi um verdadeiro “gato” nos postes. Cláudio foi um verdadeiro obstáculo para o campeão, mas este acabou sendo bafejado pela sorte com o tento de Luís, aos 66’.

Esta foi uma partida bastante sofrida para os adeptos do Ferroviário de Maputo e muito mais para o timoneiro dos “locomotivas”, Chiquinho Conde, que aventava uma solução rápida, temendo situações idênticas àquelas por que passou nas duas últimas jornadas, empate diante do Atlético Muçulmano e FC Lichinga respectivamente. Porém, todos os esforços foram por água abaixo, pois as oportunidades eram desaproveitadas no eixo do ataque.
Assistimos a um Ferroviário pouco atrevido, apesar de maior posse de bola e ter estado maior parte de tempo a jogar no reduto do adversário. Associado a estes factos está a falta de frieza dos atacantes naquelas oportunidades próprias para finalizar, sobretudo Jerry, que nestes últimos jogos tem estado a baixar de forma.

Mesmo assim, não faltaram jogadas de realce nas quais o guarda-redes Cláudio foi um autêntico super-homem. O mais destacado de todos foi aquele em que Luís, no centro da grande área, atirou à “queima-roupa” para a defesa incompleta do “keeper” nacalense. Foi à recarga, mas Cláudio defendeu novamente para canto, aos 37 minutos.

Antes do intervalo, o Ferroviário de Nacala não produziu uma jogada de realce. Na segunda metade, os “locomotivas” de Nacala fecharam-se muito na defensiva, partindo em contra-ataques que também não encontraram maior espaço face à reacção da defensiva contrária. Continuaram a jogar da mesma forma durante o intervalo, até à altura em que Luís antecipou-se do guarda-redes Cláudio, desviando com êxito o centro de Mendes.
Com este deslize, os nacalenses viram-se na obrigação de se abrir e tentarem chegar ao golo, mas o Ferroviário ficou mais atento e anulou as suas investidas. Face a este esforço, obrigaram os caseiros a cometer algumas faltas próximo da grande área, mas mal aproveitados.

Desportivo, 1- Matchedje, 0 - trunfo sai do banco

Sonito, que muitas vezes foi vaiado pelos adeptos “alvi-negros”, por prestações menos conseguidas, passou na tarde de sábado de vilão a herói, ao apontar o golo solitário que deu o triunfo ao Desportivo sobre o Matchedje, por 1-0. Estava decorrida a meia hora da segunda parte a massa associativa desesperava.

O tempo ia se escasseando e o grosso das pessoas que ocorreram ao Estádio 1º de Maio já prognosticava um empate. Mas o que não sabiam é que minutos antes, Semedo tinha lançado um jogador que acabou sendo uma verdadeira “arma secreta” que na segunda vez que tocou na bola colocou-a no fundo da baliza à guarda de Victor após um excelente golpe de cabeça a corresponder um cruzamento de Secanhe. De certa forma o golo de Sonito veio colocar justiça no marcador visto que até então o Desportivo era o team que mais tinha feito para violar as malhas contrárias.


Os “alvi-negros” tiveram sempre o domínio do jogo, embora em alguns momentos tenham cedido terreno aos “militares” que a meio da primeira parte chegaram a pregar um enorme susto à baliza de Marcelino quando Chana e Edmundo em apenas um minuto levaram a bola a embater no travessão. De resto, a turma “alvi-negra” que se viu desprovida de dois jogadores fundamentais, nomeadamente o médio centro, Nelson e o lateral direito, Josué, não deu muitos espaços de manobra a equipa de Nacir Armando.

Com Mexer de volta ao eixo da defesa e Zainadine adaptado a defesa direito, os comandados de Semedo souberam dar conta do recado apesar de em alguns períodos.
Foi com Matlombe em campo que os “alvi-negros” dispuseram do primeiro lance de perigo. Muandro tem uma brilhante arrancada. Flecte para o meio e desfere um portentoso remate fazendo com que o esférico passe a rasar o poste. Muandro, Sonito e Aníbal foram os mais rematadores da equipa. Já Binó, substituído na segunda parte, pela figura do jogo, Sonito, deu muito trabalho a defesa “militar” que se ressentiu muito da falta de Cufa, a cumprir castigo.
Esta partida acabou sendo marcada por algumas cenas desagradáveis com os adeptos do Desportivo a insurgirem-se veementemente com um dos auxiliares por este não ter alertado o árbitro sobre agressão a Mexer. O certo é que a partida esteve interrompida cerca de três minutos porque o árbitro auxiliar que se queixava de lhe ter sido arremessado um objecto pedia maior protecção junto ao árbitro principal, Bernardino dos Santos, que lhe convenceu a voltar ao trabalho.

Ferr. de Nampula, 0 – FC de Lichinga, 1 - Consternação total em Nampula

Consternação total, foi o que se sentiu nos adeptos próximos ao Ferroviário de Nampula que ontem foram em número razoável ao estádio 25 de Junho para apoiar a equipa da casa até que o árbitro do encontro apitou pela última vez na partida em que o Futebol Clube de Lichinga ganhou por uma bola sem resposta, deitando assim por terra algumas esperanças da equipa nampulense continuar na prova máxima do nosso futebol, o Moçambola do próximo ano.
Com um início atípico nos dois conjuntos que desceram para o relvado com as mesmas intenções de conquistar os 3 pontos em disputa, face ao posicionamento de ambos na tabela classificativa que não é muito cómoda, particularmente para o Ferroviário, que está abaixo da linha de água, foi esta mesma equipa que teve a iniciativa de ataque, sem no entanto conseguir concretizar em golos.

Com responsabilidades menos acrescidas, mas jogando na mira dos três pontos, o FC de Lichinga respondia às investidas contrárias com ataques rápidos, aproveitando a velocidade dos seus homens mais adiantados, nomeadamente Cássimo e Clemente que deram muito trabalho à defensiva “locomotiva”.

Disputando-se numa toada de equilíbrio, surgiu o golo e único da partida, pertença a equipa forasteira. Na execução de um pontapé de canto pela ala direita do seu ataque, efectuado com precisão por Maninho para o interior da área, onde aparece Nando Macie, aos 15’, a saltar mais alto que todos e com um cabeceamento violento e bem colocado, introduz o esférico no fundo das malhas do “keeper” “locomotiva” que não podia fazer mais que assistir o lance.
O golo do Futebol Clube de Lichinga espevitou a ansiedade dos locais, que forçados a correr atrás do prejuízo, não tiveram concentração suficiente de traduzir em golo as oportunidades que criaram. Aos 29’, Gomez, viu o seu remate a ser devolvido pela trave da baliza à guarda de Valério que foi chamado a entrar em acção aos 40’, numa jogada em que o “locomotiva” Nando poderia fazer melhor, ao contrário de chutar para uma defesa do guardião contrário, mantendo o resultado até ao final da primeira parte.

No reatamento do encontro, o Ferroviário de Nampula entrou transfigurado e aos 51’ poderia ter chegado ao golo de empate, na cobrança de um livre à entrada da área dos homens de Lichinga que é executado por Zuma com uma perfeição impecável e uma defesa incompleta de Valério e na recarga Gomez, próximo da linha de golo, remata, mas instantaneamente aparece um defensor a desviar para canto.

Aliás, o Ferroviário foi completamente dono do jogo durante quase toda a segunda metade, com o FC de Lichinga a responder com ataques rápidos e que poderiam dar em golo. Aos locais faltaram inteligência, principalmente, Leonel, que andou perdido e deixou a sua equipa perder uma oportunidade de sair do campo com uma vitória.

Maxaquene, 1-Atlético, 0 - Jumisse: cabeça não só serve para pensar

O Atlético Muçulmano da Matola, que anda carente de resultados, entrou bem para o jogo. Encostou momentaneamente o adversário no seu meio reduto, mas pecava por excessivas trocas de bola sem que o esférico fosse encaminhado lá para a frente, junto à baliza de Soarito. O Maxaquene, por seu turno, jogava muito na contenção, trocando também excessivamente o esférico o que irritava os seus adeptos, que precisavam que a equipa reagisse e consiguisse os golos da tranquilidade.

O primeiro tempo foi medíocre. Tirando um e outro lance, o espectáculo esteve aquém das expectativas. Há a registar apenas nesta etapa o remate de Patrício e de Liberty.
O Maxaquene reapareceu no segundo tempo mais acutilante a remeter o Atlético no seu meio campo e a criar oportunidades claras de golo, que não eram bem aproveitadas pelos atacantes, até que aos 69 minutos Macamito, depois de uma jogada engendrada pela esquerda, Macamito vê o seu remate a ser devolvido por Baúte. Na recarga, Jumisse, muito bem, veio a dizer que a cabeça não só serve para pensar como também para marcar golos. Assim estava feito o primeiro e único tento do encontro. O Atlético que até então andava perdido reagiu, mas não foi a tempo de igualar o encontro.

MOÇAMBOLA-2009: Quadro de resultados e classificação actual

Desportivo, 1-0, Matchedje (Sonito, 75’)
Textáfrica, 1-0, HCB de Songo (Tume, 20’)
Maxaquene, 1-0, Atlético muçulmano da Matola (Jumisse, 69’)
Fer. Nampula, 0-1, FC Lichinga (Nando Macie, 15’)
Fer. Maputo, 1-0, Fer. Nacala (Luís, 66’)
Chingale, 1-0, Liga Muçulmana de Maputo
Costa do Sol, 3-0, Ferroviário da Beira (Tó, 45’, Silvério, 53’ e Dito, 38’)

J V E D B P
1º DESPORTIVO 21 12 7 2 19-9 43
2º Fer. Maputo 21 12 5 4 31-13 41
3º Liga Muçulmana 21 13 1 7 28-11 40
4º Costa do Sol 21 11 6 4 28-10 39
5º Maxaquene 21 9 6 6 17-13 33
6º HCB de Songo 21 7 7 7 12-14 28
7º Ferroviário da Beira 21 6 9 6 12-12 27
8º Matchedje 21 7 5 9 12-17 26
9º FC Lichinga 21 7 5 9 15-27 26
10º Chingale 21 6 6 9 17-21 24
11º Atlético Muçulmano 21 5 8 8 9-13 23
____________________________________________________________________
12º Textáfrica 21 6 3 12 19-17 21
13º Ferroviário de Nampula 21 4 7 10 10-17 19
14º Ferroviário de Nacala 21 3 3 15 9-36 12

Devido ao embate dos “Mambas” contra o Quénia, no próximo domingo, dia 06 de Setembro, no Vale do Infulene, a contar para a quarta jornada de qualificação para CAN e Mundial de 2010, o campeonato sofrerá uma paragem, regressando no fim-de-semana de 12 e 13 de Setembro.

Próxima Jornada (22ª)

HCB - Matchedje (0-1)
Atlético - Textáfrica (0-1)
FC Lichinga-Maxaquene(0-1)
Fer. Nacala-Fer. Nampula(1-0)
Liga Muçulmana-Fer. Maputo (0-1)
Fer. Beira-Chingale (3-1)
Costa do Sol-Desportivo(0-0)


“Operação Quénia” entra na ordem do dia

A “Operação Quénia” entra hoje na ordem do dia. Desde ontem à noite concentrados no Hotel Rovuma, os “Mambas” iniciam esta tarde, no campo do Costa do Sol, a preparação com vista ao grandioso e decisivo embate do próximo domingo, no Estádio da Machava, para a quarta jornada do Grupo “B” de qualificação para CAN e Mundial de 2010.
Vinte e dois futebolistas foram convocados por Mart Nooij para a primeira etapa de preparação, que compreenderá treinos bidiários até quinta-feira, pois na sexta e no sábado os “Mambas” apenas cumprirão uma sessão.

A lista dos 22 convocados técnico holandês para defrontar os quenianos é a seguinte:

Guarda-redes – Kampango, Binó e Lama.
Defesas – Paíto, Mexer, Dário Khan, Mano, Miro, Whisky e Campira.
Médios – Simão, Dominguez, Josimar, Genito, Momed Hagy, Danito Parruque e Mustafá.
Avançados – Tico-Tico, Dário Monteiro, Gonçalves, Jerry e Hélder Pelembe.

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Texto: Michael Cesar (correspondente e colaborador do Desportugal em Moçambique)


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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Taça de Moçambique/mcel: Costa do Sol, Atlético Muçulmano, Ferroviário de Maputo e da Beira, passam para meias-finais

O fim-de-semana que findou esteve reservado aos jogos da Taça de Moçambique/mcel, onde se realizaram 4 jogos. A tarde de domingo, foi uma maravilhosa jornada dos quartos-de-final, cujo epílogo nos trouxe o seguinte: a qualificação de quatro formações que militam no Moçambola-2009, nomeadamente, Costa do Sol, Atlético Muçulmano, Ferroviário, todos de Maputo e Ferroviário da Beira, que jogavam na condição de visitantes. Extremamente fácil do que se esperava foi a goleada dos “canarinhos” no caldeirão do Chiveve, diante do Têxtil do Púnguè (4-1), numa partida em que se registaram dois penaltes, um para cada lado. Quando se augurava que o clube do povo beirense fosse fazer vida negra ao Costa do Sol, eis que este puxou dos seus galões e se impôs com clarividência, construindo um triunfo que não deixa margem de dúvidas para ninguém. Embora sofrendo e acabando por vencer tangencialmente (1-0), Ferroviário de Maputo e Atlético Muçulmano da Matola, não quiseram deixar os seus créditos por mãos alheias. Os campeões nacionais de Chiquinho Conde, levaram à vila de Xinavane uma multidão de adeptos que foi rever o histórico campo do Incomáti, que neste caso serviu de terreno do Clube de Gaza. Com Arnaldo Salvado, no banco técnico três meses depois, findo o castigo que lhe havia sido imposto pela Liga Moçambicana de Futebol, o Atlético Muçulmano mostrou que pretende defender o título que detém na Taça de Moçambique até às últimas consequências. Os “muçulmanos”, uma vez mais, passaram na capital do norte diante do Ferroviário de Nampula, que perdeu uma oportunidade de se redimir face à medíocre campanha que está a realizar no Moçambola. No campo do Desportivo de Tete, o equilíbrio foi tal que obrigou os atletas a jogarem durante 120 minutos, sem que, no entanto, se encontrasse um vencedor, entre HCB de Songo e Ferroviário da Beira. No recurso às grandes penalidades, os beirenses tiveram a pontaria mais afinada, ganhando por 4-2.

Clube de Gaza, 0 – Fer. Maputo, 1

O Ferroviário de Maputo, teve dificuldades para se impor na tarde de domingo, no campo do Incomáti, em Xinavane, frente ao Clube de Gaza, mas acabou por vencer por uma bola sem resposta, suficiente para se manter firme na segunda maior prova futebolística do país, a Taça de Moçambique/mcel. Muitas contrariedades o Ferroviário encontrou. Primeiro foi o estado do piso, que me pareceu ter sido regado momentos antes do jogo e depois foi o próprio adversário que apareceu, contra todas as previsões, muito aguerrido e com alguma juventude à mistura a querer demonstrar que tem futuro nesta modalidade, principalmente Gregório, que bem acompanhado e com trabalho de fundo pode vir a ser um “mamba”. O Ferroviário muito cedo quis assumir o comando do jogo, mas pela frente encontrou um adversário bastante atrevido e sem nenhum complexo. Aliás, os gazenses criaram muitas dores de cabeças aos pupilos de Chiquinho Conde. Jerry e Luís, a dupla atacante dos “locomotivas”, não encontravam espaço para as penetrações frente a uma defensiva bem estruturada e segura. A primeira jogada de grande perigo aconteceu aos 12’, quando Jerry escapuliu-se da marcação dos defesas, mas no momento do remate deixou-se cair. Mas quem estremecia os homens mais recuados do Gaza era Joca, esse jovem promissor do futebol moçambicano, que em grande velocidade batia os adversários com alguma facilidade, tal como aconteceu aos 15’, quando viu o seu remate a ser desviado para canto. O Clube de Gaza respondia em contra-ataques rápidos, mas que morriam nas mãos do guarda-redes Mahomed. Em dois momentos seguidos o Ferroviário esteve à beira de marcar. Luís (30’) e Jerry (36’), este último de cabeça, viram o guarda-redes Mário a negar-lhes o golo, desviando sucessivamente o esférico para canto.

Jotamo, aos 44’ rematou forte por cima. À beira do intervalo Gregório por pouco calava os muitos adeptos do Ferroviário. E numa dessas ocasiões até foi travado em falta sobre a linha limite da grande área, na qual desperdiçaram o livre.
No reatamento, Chiquinho Conde regressou com Momed no lugar de Maurício. O meio campo dos “locomotivas” teve outra dinâmica. E finalmente, o golo apareceu aos 12’. Joca, de fora da área, desferiu um portentoso remate. A bola, na trajectória, bateu na cabeça dum defesa e ganhou altura, anichando-se num ângulo difícil de defesa. O guarda-redes até certo ponto terá sido traído, porque até vinha acompanhando a jogada, que à primeira vista parecia inofensiva. Já na ponta final, o Clube de Gaza recompôs-se, mas não teve força suficiente para virar o rumo dos acontecimentos. Chiquinho Conde ainda teve tempo para refrescar a equipa com as entradas de Whisky e Tchaka.

Têxtil do Púnguè da Beira, 1-Costa do Sol de Maputo, 4 - Supremacia “canarinha”

Um desafio sem muito para contar. O que vingou, no domingo, no campo do Ferroviário da Beira foi de facto, a supremacia do Costa do Sol, pois o Têxtil de Púnguè bateu-se duro, sobretudo na primeira parte, mas acabou cedendo na segunda, ante um adversário bastante experiente e com outras qualificações no mundo do futebol. Se, ao longo dos primeiros 45 minutos, foi o conjunto da casa que demonstrou logo de início vontade de querer ir longe nesta segunda maior competição futebolística, na segunda parte, a situação mudou completamente, com os forasteiros a conseguirem lograr os seus intentos.
Aos 37’, os beirenses poderiam ter chegado ao golo, mas Mauro não foi suficientemente hábil para bater o guardião Abú. A seguir, e numa jogada de contra-ataque, aos 40’, Tó fez o primeiro golo para os visitantes.
No reatamento, o Costa do Sol empenhou-se mais no ataque e, fruto disso, chegou ao segundo golo, aos 85 minutos, por intermédio de Mambo, na transformação de uma grande penalidade. Depois do golo, os “fabris” acusaram ainda mais a responsabilidade do jogo e “perderam” a cabeça, entregando o jogo ao adversário, que marcou mais dois golos, por intermédio de Tó e de Vasil.

Quando tudo indicava que o resultado seria de 4-0, eis que, numa jogada de contra-ataque, um defensor “canarinho” toca a bola com a mão, tendo prontamente o juiz apitado para a grande penalidade, que Brean Dean converteu sem problemas.

Fer. Nampula, 0-Atlético Muçulmano, 1

Foi com o espírito do querer e do saber que o Atlético Muçulmano venceu por uma bola sem resposta o Ferroviário de Nampula. Os visitantes sofreram logo no início uma grande pressão atacante do adversário, que aos 30 segundos ganha um livre indirecto no enfiamento da grande área, que, na marcação perfeita do malawiano Gomez, não deu em golo porque apareceu em momento oportuno o jogador Mouka a aliviar para canto. Este foi apenas um simples aviso à navegação e um abanão que os “muçulmanos” da Matola tiveram que aguentar, basicamente toda a primeira parte.
Os treinados pelo malawiano Cannok Munde encurralaram o adversário no seu meio campo e com alguma facilidade chegavam à baliza de Samito. Foi assim que, aos 4’, poderiam ter chegado ao golo, quando Gomez deixa dois contrários pelo caminho e perigosamente cruza rasteiro e atrasado para o interior da área, para um defensor aliviar para canto, com o risco de fazer um auto-golo.

Diga-se, em abono da verdade, o domínio territorial e táctico que o Ferroviário exercia durante quase toda a primeira parte pecava apenas no aspecto da concretização das oportunidades de golo criadas, enquanto o Atlético respondia e chegava de quando em vez à baliza de Zacarias a partir de remates à meia distância, que, mesmo assim, não causavam calafrios aos “locomotivas”. E foi nessa altura que se viu a primeira jogada de perigo engendrada pelo Atlético, que culminou com um “tiraço” de Patrício a roçar a trave.

A segunda metade veio marcar uma realidade diferente em relação à produção das duas equipas, altura em que o Atlético se assenhoreou do jogo e bastaram 7 minutos para fazer o golo, por intermédio de Patrício, que agradeceu a bola oferecida por Zeid, disparando vitoriosamente para o fundo da baliza de Zacarias, aos 52’.
O Ferroviário tentou responder, no minuto seguinte, mas o cabeceamento de Zuma, na sequência de um cruzamento da direita do seu ataque, foi insuficiente para marcar o golo da igualdade. Eboh, aos 55’, e Danito Nhampossa, aos 58’, desperdiçam oportunidades que poderiam ter avolumado o “score”, assim como Patrício de fazer o “bis”, aos 74’, com o seu remate a ser devolvido pela trave. Foi um período ascendente dos “muçulmanos”, ante um Ferroviário que lutava para conseguir o golo da igualdade e talvez forçar um prolongamento, situação que não chegou a ocorrer até ao final da partida.

HCB de Songo (1), 2-Fer. Beira (1), 4

Sem nenhuma grande penalidade falhada e com o seu guarda-redes Rockssana a defender com classe o remate de Amílcar, após um outro desperdiçado pelo seu colega Dangalira, o Ferroviário da Beira fez festa em Tete, perante a HCB de Songo, numa partida em que as equipas entraram com características diferentes: os donos da casa mais ofensivos e os forasteiros pautando pela contenção do esférico e a progredir quando fosse possível. Face à pressão contrária, a turma de Mussá Osman, após 20’, começou a abrir brechas no seu meio campo, permitindo a subida dos “locomotivas”, que dominaram o jogo e por diversas vezes estiveram próximos de inaugurar o marcador.

Na segunda parte, o Ferroviário surgiu ainda mais determinado e a pressionar sem tréguas a HCB, um tanto ou quanto fragilizada. Aos 55’, os beirenses viram o seu esforço compensado, com Óscar a fazer o golo, depois de receber o esférico num lance que envolveu os seus colegas Tony e Timbe, com destaque para este último que, depois de passar por Mucuapene, foi até à linha do fundo para desmarcar Óscar.

Com a pressão, a HCB desbobinou um futebol mais inteligente, aproveitando os deslizes do adversário, pois este começou a reter a bola no seu meio campo, em sinal claro de defender o resultado que lhe era favorável. Só que, aos 82’, numa jogada de contra-ataque, os tetenses conseguiram levar o esférico até à área contrária, para, numa autêntica confusão aí gerada, Amílcar atirar para o golo. Os jogadores da Beira tentaram concentrar-se junto ao árbitro assistente, reclamando uma deslocação de Amílcar, mas sem sucesso, pois o árbitro validou o golo.

As duas equipas foram mais cautelosas, procurando “queimar” o tempo e desse modo forçar o prolongamento. E assim aconteceu, mas os 30’ transcorreram com a igualdade a prevalecer.
Nas grandes penalidades, Antoninho colocou a HCB a ganhar, para Óscar empatar. Seguiu-se Dangalira, que atirou por cima do travessão, tendo, por sua vez, Ninito feito o 1-2 para os beirenses. Depois foi Amílcar, permitindo uma defesa com classe do guarda-redes Rockssana, para Sérgio e Nené fazerem o resultado final.

Quadro de resultados dos quartos-de-finais da Taça de Moçambique/mcel

Clube de Gaza, 0 – Fer. Maputo, 1 (Joca, 12’)
Têxtil do Púnguè da Beira, 1-Costa do Sol de Maputo, 4 (Brean Dean, 92’; Tó, 40’ e 87’, Mambo, 85’, Vasil, 90’ )
Fer. Nampula, 0-Atlético Muçulmano, 1 (Patrício, 52’)
HCB de Songo (1), 2-Fer. Beira (1), 4 (Amílcar, 82’; Óscar, 55’)

Jogos das meias-finais

As meias-finais da Taça de Moçambique/mcel estão marcadas para 3 e 4 Outubro, curiosamente, na capital do país, Maputo, e com os grandes Costa do Sol e Ferroviário de Maputo a servirem de anfitriões. Os “canarinhos” irão jogar com o Atlético Muçulmano da Matola e os “locomotivas” terão pela frente o Ferroviário da Beira.


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Texto: Michael Cesar (correspondente e colaborador do Desportugal em Moçambique)


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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Devido a dívidas, Campeonatos de futebol interrompidos na capital

Os Campeonatos de Futebol e de Futsal da Cidade de Maputo não se realizaram no último fim-de-semana conforme estava agendado. Em causa estão as dívidas dos clubes para com a Associação de Futebol da Cidade de Maputo (AFCM), entidade gestora das competições.
Segundo um comunicado a que ontem tivemos acesso, que por questões administrativas (falta de pagamento de taxas de campos, árbitros, delegados e segurança) ambas as provas estão suspensas até que as equipas/clubes saldem as suas dívidas (cerca de seis mil meticais). O mesmo documento dá a conhecer que o prazo para o pagamento é até o dia de hoje, sendo que as equipas que não o fizerem ser-lhes-ão aplicadas multas e derrotas.
No Campeonato de Futebol apenas Académica, 1º de Maio e Águias Especiais têm as contas em dia. Por regularizar a sua situação, estão o Estrela Vermelha, União FC, Beira-Mar da Catembe, Cape Cape, Nova Aliança, Zixaxa e Mafahil.
No Campeonato de Futsal, das noves equipas presentes, nomeadamente Desportivo, Liga Muçulmana, Al Mahid, Atlético Muçulmano, Associação, Benfica, Académica, Mahafil e Associação, apenas quatro pagaram o valor referente à taxa de comparticipação (árbitros, campos e segurança), a saber: Desportivo, Liga Muçulmana, Associação e 1º de Maio.
Orlando Chamusse, secretário-geral da AFCM, questionado se no próximo fim-de-semana haverá jogos, respondeu que “não vamos interromper mais as provas. Decidimos que as equipas que não pagarem ser-lhes-ão averbadas faltas de comparência e ainda serão multadas”.
Todavia, o dirigente acredita que ainda hoje todas as equipas liquidem as suas dívidas e para que as provas possam decorrer num ambiente de harmonia.

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Texto: Michael Cesar (correspondente e colaborador do Desportugal em Moçambique)

Fonte: www.jornalnoticias.co.mz

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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Moçambola - 2009: 20ª jornada: Liga Muçulmana descarrila e compartilha pontos com o Desportivo. A tarde de sábado foi bastante negra para as equipas m

No novo campo do Maxaquene, em Maputo, a Liga Muçulmana baqueava frente ao Costa do Sol de Maputo, no outro terreno do Maxaquene, o da baixa, o Atlético, era rasteirado pelo Ferroviário de Nampula, pelo mesmo resultado de 1-0. Mas a grande novidade desta 20ª jornada foi a consagração do Desportivo como novo líder, apesar de ter os mesmos pontos da Liga Muçulmana (40), mas com vantagem no confronto directo. Quem deve estar surpreso é Nacir Armando, que sofreu a bem sofrer, ao ver o seu Matchedje a ser vulgarizado em pleno Estádio da Machava pelo atrevido Textáfrica de Chimoio, por 0-2. Os “alvi-negros” e os “locomotivas” da capital do país não conseguiram desfeitear os seus opositores, nomeadamente o Ferroviário da Beira e o FC Lichinga, terminando ambos os encontros sem abertura de contagem. Aliás, os aflitos (Ferroviários de Nampula e de Nacala e o Textáfrica), curiosamente os de abaixo da linha de água, ganharam nesta vigésima ronda e continuam a travar uma luta acesa pela sua manutenção. Outro que surpreendeu pela positiva é o Maxaquene, que foi a Tete arrancar três preciosos pontos diante do HCB de Songo, por uma bola sem resposta, trocando inclusivamente de posição na classificação com este mesmo adversário.

Liga Muçulmana de Maputo, 0 – Costa do Sol de Maputo, 1 - Consagrem o grande Ruben

O futebol quando é bem jogado até dá gosto de ver, tal como aconteceu na tarde de sábado no campo do Maxaquene, no embate entre a Liga Muçulmana e o Costa do Sol, com esta última equipa a desbobinar um fio de jogo doutra galáxia e com Ruben a ser um verdadeiro maestro e tocar todos os instrumentos com aquele seu genial pezinho esquerdo e bem apoiado por Josimar. Ruben era um verdadeiro diabo à solta e enchia todo o campo, ora aparecendo pela esquerda, ora pela direita ou pelo centro a criar dores de cabeça a todo o “mundo”. Os golos é que faltavam para completar a festa de futebol que se assistia. O primeiro grande perigo aconteceu logo aos 10’, quando Silvério, outro que está a fazer-se um grande jogador, atirou contra a base do poste de Binó, com este já praticamente batido. A Liga Muçulmana, treinado pelo português, professor Neca, não era mera espectadora. Maurício ia a todas, bem apoiado por Misitara que brigava com os seus adversários a recorrerem, em alguns casos, a faltas para o travarem. Carlitos enchia o meio-campo. Mas quem tem Ruben, tem tudo. O pequeno/grande jogador dissipou todas as dúvidas quando apontou o único tento da partida, a corresponder a uma defesa defeituosa de Binó. O segundo tempo foi mais interessante ainda com a Liga a ir a todas e a procurar, a todo custo, do tento da igualdade que nunca mais apareceu. Diga-se em abono da verdade que os “muçulmanos” não tiveram aquela vivacidade a que nos habituaram e continuam sem conseguir bater os chamados grandes.

Fer. Beira, 0-Desportivo,0 - Faltou futebol!

Não houve futebol. Centenas de amantes do desporto-rei no final da partida, na cidade da Beira, entre o Ferroviário local e o Desportivo de Maputo, que terminou empatada a zero bola, ficaram decepcionados. Tal tinha a sua razão, pois durante os 90 minutos nenhuma das equipas demonstrou clareza e alinhamento táctico suficiente para sair com os três pontos em disputa, embora raras vezes o tenham feito. Saiu primeiro a equipa de Artur Semedo e desde logo deu mostras de que pretendia algo mais que um simples empate, produzindo jogadas de perigo junto à baliza de Gervásio mas a pecar na finalização, particularmente por parte de Bino e Aníbal, os dois homens confiados para marcarem golos. O Ferroviário só conseguiu sair do sufoco à entrada do minuto 10, mas Tony e Cláudio não conseguiram dar sequência a jogadas vindas da intermediária, perdendo a oportunidade de golo, o mesmo que aconteceu aos 20’ quando este último voltou a falhar a intercepção a uma bola que lhe fora bem direccionada por Nené. No reatamento as coisas melhoraram significativamente para os locais, pois passaram a jogar de forma mais aberta, criando muitas oportunidades de golo que foram sendo esbanjadas pelos atacantes ante uma grande prestação da defensiva “alvi-negra” onde Mexer era o patrão mandando tudo e todos. O combinado da capital do país também teve algumas jogadas de realce mas nem as substituições efectuadas conseguiram dar a volta à falta de engodo pela baliza e muito menos foram aproveitadas as oportunidades de golo criadas.

Matchedje, 0-Textáfrica, 2 - “Fabris” como peixes na água

Como peixe na água, foi como o Textáfrica, se apresentou domingo, no Estádio da Machava, diante do Matchedje de Maputo, que acabou vencendo por 0-2. Os “fabris” parecem dar-se bem com os ares do vale do Infulene. É que na sua segunda visita à “cadetral” do futebol moçambicano triunfaram quando nada fazia prever, tal como tinha acontecido na terceira jornada quando vieram ganhar ao campeão nacional, o Ferroviário de Maputo, curiosamente pela mesma marca (2-0). Esta vitória funcionou como um “balão de oxigénio” para os comandados de Alex Alves, visto que mantiveram-se na luta pela manutenção. A julgar pela forma como se exibiu, pode-se dizer que o Textáfrica merece, na próxima época, permanecer entre a nata do futebol nacional. Devido as boas combinações de César e Ítalo, que os “fabris” chegaram ao primeiro golo. Ângelo com um passe de mais de 20 metros, lançou César, este solto de marcação, centra tenso para a pequena área e Ítalo finaliza. Estavam jogados 21’. Era o corolário da excelente reacção demonstrada pela equipa “fabril”, que até tinha tido um início algo atordoado, período em que o Matchedje poderia, inclusive, ter aberto o marcador por Nito. A bola andava sempre junto a uma das balizas. Até à meia hora verificaram-se cinco claras oportunidades de golo, três das quais pertenceram aos “militares”, que, no entanto, se mostravam incapazes de bater Minguinho, guarda-redes do Textáfrica, que esteve inspirado. A segunda parte ficou marcada pela expulsão de Cufa, a castigar uma entrada violenta sobre Ítalo.




Nacir Armando via-se obrigado a fazer adaptações numa altura em que a sua equipa procurava chegar ao empate. Os “militares” acusaram muito a saída do defesa central. Reflexo disso é a quebra de rendimento. Aos 15’ do final da partida chegaram ao 2-0 por intermédio de Custódio. O Matchedje ainda tentou o golo de honra quando Zico cabeceou à trave. A tarde era mesmo do conjunto visitante que voltou a sair do Estádio da Machava num ambiente de festa.

Atlético Muçulmano, 0 – Fer. de Nampula, 1

Os nampulenses foram muito determinados e objectivos desde o primeiro até ao último minuto da contenda, razão pela qual este triunfo é lhes totalmente merecido. Os “muçulmanos” começaram por perder a batalha no meio-campo, onde ficaram contraídos e sem grandes chances de chegar com tranquilidade ao reduto dos “locomotivas”. Por outro lado, foram forçados a abrir brechas que permitiram aos nampulenses descer com facilidade para a baliza defendida por Samito. Aliás, a defensiva nampulense foi impecável, daí que o ponta-de-lança Patrício não teve espaço de manobra entre os “centrais” Matofe e Duda. Os atacantes “locomotivas” Leonel e Gome, estavam mais soltos e não tardou que, nos minutos iniciais, surgisse o tento que carimbou a sua vitória, numa das subidas em que o “capitão” Elídio centrou para o desvio subtil e rasteiro de Leonel, a bater categoricamente Samito. Na verdade, não vimos aquela ousadia que o Atlético teve diante do Ferroviário de Maputo, na jornada anterior. Mesmo assim, deu algumas vezes nas vistas e, em duas situações consecutivas falhou bater Zacarias, a começar naquele lance de livre de longe da grande área por Nelito, para o desvio de cabeça do capitão Délcio, que saiu por por cima do travessão. De seguida, foi Eboh que estremeceu a baliza “locomotiva”, com um tiro quase a roçar o poste, aproveitando a falha dos “centrais”, aos 25’. Os “locomotivas” responderam com duas investidas também consecutivas. A primeira foi levada a cabo por Duda, na marcação de um livre próximo da grande área, obrigando Samito a uma defesa de recurso, aos 29’. Porém, escapou naquela falha de intercepção de Gome, desperdiçando a belíssima assistência de Rodjas. Na segunda parte vimos um Ferroviário de Nampula mais defensivo e um Atlético que, em vez de ensaiar lances bem elaborados, foi projectando o esférico para a área. Os muçulmanos, arrancou algumas oportunidades, nomeadamente um fogoso remate de Délcio da meia-lua, para a atenção de Zacarias, e uma falha incrível de Danito Nhampossse na boca da baliza, cabeceando desenquadrado com os postes. Minutos seguintes, Ngoni, descaído à direita, fez um arco bem medido para o lado contrário, onde Patrício, com o guarda-redes pela frente, não soube que fazer com o esférico. Acabou sendo substituído pelo também atacante Madeira que, por sua vez, arrancou um portentoso remate cruzado já no período de compensação, mas devolvido pela muralha defensiva junto da pequena área.

HCB de Songo, 0 -Maxaquene, 1 - Triunfo merecido

A equipa “tricolor” encontrou dentro do rectângulo de jogos um HCB muito complexado, sem nenhum fio de jogo, com jogadas de bola ao ar e sem nexo e, como a equipa visitante possui um lote de jogadores com uma estatura alta, todas as jogadas ofensivas da HCB terminavam na entrada da grande área onde estava montada uma forte barreira “tricolor” comandada por Faria, um defesa central com excelentes qualidades técnicas e tácticas. Foi este homem que comandou todas as operações para desfeitear as jogadas ofensivas da turma da Hidroeléctrica de Cahora-Bassa. Logo de início pareceu que a HCB estava decidida a somar mais três pontos, pois, pela sua maneira de jogar e mantendo a bola sempre ao meio-campo do adversário, tudo indicava para uma decisão mais ofensiva por forma a sufocar o Maxaquene, o que não aconteceu, porque depois dos 20 minutos tudo virou. A equipa visitante, depois do período do estudo mútuo, começou a subir de rendimento e como corolário desta pressão, aos 28’, Pelembe recebeu a bola dos pés de Jumisse, passou por Muacapele, correu e cruzou com boa medida para o peito de Liberty, que dominou e, em forma de meia volta, já no interior da grande área na zona de marcação da grande penalidade, chutou por cima do travessão. Era o aviso de que o Maxaquene não vinham a Tete para brincadeiras. Numa jogada de contra-ataque, a HCB foi até ao meio-campo do Maxaquene, Eládio endossou a bola a Gito, na entrada da grande área, que rematou para uma excelente defesa de Soarito. A HCB, com o seu jogo ao ar, conseguia passar o meio-campo, mas não ia mais além. Foi num contra-ataque no minuto 42 que surgiu o golo do Maxaquene, uma vez que o esférico saiu da defesa, dos pés de Faria, em passes curtos para Mustafa, que atravessou a linha do meio-campo lançando para Liberty que fintou Antoninho e Venâncio, correu até ao fundo da linha e cruzou para a pequena área, onde Pelembe antecipou-se de Sergito e desviou para o interior das malhas sem hipóteses para o guarda-redes Chico. Estava tudo decidido. Veio o segundo tempo com a HCB um pouco mais agressiva, muito atrevida na tentativa de inverter o resultado, mas o Maxaquene estava de olhos bem abertos e não queria deixar o ouro nas mãos do bandido, procurou de todas as maneiras e formas tapar as brechas por onde os pupilos de Mussa Ossman tentavam penetrar para criarem situações desagradáveis na zona mais recuada dos “tricolores”. O jogo terminou sem grande história.

Moçambola-2009: Quadro de resultados e classificação actual

Atlético Muçulmano - Fer. Nampula (0-1)
Liga Muçulmana - Costa do Sol (0-1)
Matchedje - Textáfrica (0-2)
HCB de Songo - Maxaquene (0-1)
FC Lichinga - Fer. Maputo (0-0)
Fer. Nacala - Chingale (1-0)
Fer. Beira-Desportivo (0-0)

1º DESPORTIVO 40 pontos
2º Liga Muçulmana 40 pontos
3º Fer. Maputo 38 pontos
4º Costa do Sol 36 pontos
5º Maxaquene 30 pontos
6º HCB de Songo 28 pontos
7º Ferroviário da Beira 27 pontos
8º Matchedje 26 pontos
9º Atlético Muçulmano 23 pontos
10º FC Lichinga 23 pontos
11º Chingale 21 pontos
12º Ferroviário de Nampula 19 pontos
13º Textáfrica 18 pontos
14º Ferroviário de Nacala 12 pontos

Próxima Jornada (21ª)

Desportivo - Matchedje
Textáfrica - HCB
Maxaquene - Atlético
Fer. Nampula - FC Lichinga
Fer. Maputo - Fer. Nacala
Chingale - Liga Muçulmana
Costa do Sol - Ferroviário da Beira

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Texto: Michael Cesar (correspondente e colaborador do Desportugal em Moçambique)

Foto: JN

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