O meu comentário ao Brasil 6-2 Portugal
Infelizmente fui um dos "tristes" que esteve até às 2 da manhã a ver a maior goleada de Portugal, desde que nasci. É preciso recuar ao ano de 1955 para registar seis golos sofridos num só jogo da Selecção Nacional, memórias que só os nossos pais e avós, nos relembravam num triste jogo disputado no estádio nacional frente à Suécia.
Acompanho a Selecção sempre com muito carinho e sofrer desde muito novo, ví muitas vitórias e derrotas durante estas últimas duas décadas, mas uma queda de nível tão acentuada desde que Carlos Queiroz pegou na Selecção, é demais e única!
Relembro a entrevista exclusiva de Carlos Queiroz na
SIC, há poucas semanas, antes deste comprimisso no Brasil (
vídeo a partir dos 9 minutos), em que telefonava aos nossos seleccionados a dizer: "rapazes não se preocupem que está tudo assegurado. Avião em viagem de 1ª classe, com camas confortáveis, para que não se desgatem muito na viagem". O problema é que os jogadores levaram à letra essas palavras, e além da viagem bem dormida, foram com a cama para o estádio Bezerrão, brindando-nos com o maior pesadelo dos últimos 50 anos.
Eu não gosto muito de especular, mas tenho uma teoria que pode muito bem ser considerada. Este jogo jogo foi organizado pela C.B.F. e a Nike patrocina as duas selecções, o cachet foi bem elevado para que Portugal fosse nesta altura da época ao Brasil, e as directivas poderão muito bem ter exigido que algumas das nossas figuras tivessem que alinhar, em alguns casos a totalidade da partida, como Ronaldo.
Logo à partida, a constituição da nossa equipa coloca-me muitas reservas. O Pepe que estava parado há semanas, jogou os 90 minutos, porque? Viu-se bem que estava completamente fora de forma. O Paulo Ferreira, meteu àgua até dizer chega, jogou a totalidade do jogo. O Cristiano Ronaldo não conseguiu fazer uma para a caixa, esteve lá todo o tempo. O Deco não existiu, só vi em Danny alguma vontade, e esse, foi logo o primeiro a sair, Porquê? Levámos vários jogadores como Miguel, Rolando, César Peixoto (8 minutos), Fernando Meira e Eduardo, que nem oportunidade tiveram neste descalabro e não se mudou nada.
Antes desde jogo com o Brasil, tinhamos empatado vergonhosamente em casa com a Albânia, com uma táctica de meter dó. Com 4 defesas, 2 trincos, um avançado, e agora fomos para o Estádio Bezerrão armados em chicos espertos, com uma táctica sem contemplar o poderio brasileiro, sem respeitar o pentacampeão do Mundo, abertos e expostos, e foi no que deu.
Por outras palavras, com selecções de "merda" jogamos fechados e reciosos, e com as melhores equipas do Mundo, e em território adversário, jogamos como super-heróis, à louca. Custa muito perceber isto. Afinal de contas trouxémos uma mala cheio de dinheiro (bom negócio para Madaíl), e outra, um saco com 6 bolas! Pede-se mudança imediata já! Atitute e respeito, por nós adeptos.

Só para terminar esta minha reflexão, espero que termine o folhetim Cristiano Ronaldo acerca da Bola de Ouro e a história do melhor jogador do Mundo. Já enjoa. Desde que Ronaldo venceu a Liga dos Campeões que não se fala noutra coisa,. Desde ai, Portugal é Cristiano Ronaldo e o resto. A nossa imprensa, anda sempre a falar no mesmo, frases como: lá vem o melhor jogador do mundo, o melhor do mundo chegou ao hotel, as botas do melhor do mundo, o carro do melhor do mundo, as namoradas do melhor do mundo, o ordenado do melhor do mundo, as perguntas diárias ao próprio se acha que vai ser melhor jogador do mundo. Porra chega!
Crónica do jogo Brasil 6-2 Portugal
Portugal entrou bem, esteve em vantagem, mas, em Gama no Estádio Bezerrão, arredores de Brasília, sucumbiu à arte dos canarinhos e acabou a noite a ver estrelas. O Brasil goleou, por 6-2, e ainda ficaram alguns por marcar...
Carlos Queirós optou por apresentar de ínicio um esquema de 4x3x3, com um quarteto defensivo composto por Bosingwa, Bruno Alves, Pepe e Paulo Ferreira, um trio de meio-campo com Tiago, Maniche e Deco, deixando o ataque entregue a Ronaldo, Simão e um ponta-de-lança surpresa: Danny.

O início de jogo foi de superioridade portuguesa, com Portugal a exibir uma boa troca de bola e a encostar o adversário ao seu meio-campo defensivo. Os comandados de Carlos Queirós chegaram ao golo logo aos 5 minutos, com Deco a trabalhar bem sobre a esquerda, a centrar a bola para Bruno Alves que rematou para Danny desviar já na pequena área para golo.
Tudo indicava que um possível nervosismo inicial desaparecesse, mas o certo é que o desacerto defensivo da equipa portuguesa marcaria todo o encontro. A reacção canarinha surgiu volvidos 4 minutos, depois de Robinho aproveitar uma infantilidade de Pepe e servir Luís Fabiano dentro da grande área. O avançado, Ex-FC Porto, não perdoou e bateu Quim pela primeira vez. Este golo teve o condão de marcar o fim do bom futebol praticado por Portugal, que passou a exibir-se em pior plano e demonstrou uma fraquíssima atitude defensiva.
Aos 25 minutos, segundo golo do Brasil. Mais uma vez Luís Fabiano a marcar, depois de benificiar de muito espaço dentro da área portuguesa para rodar e à meia volta bisar no jogo. Estava feito o 2-1, resultado verificado ao intervalo, e apesar de uma maior posse de bola e de mais ataques lusos era o Brasil que demonstrava mais consistência e objectividade.

Esperava-se uma segunda parte mais positiva de Portugal, mas o certo é que foi o Brasil que continuou a revelar uma maturidade muito superior no relvado. No espaço de dois minutos a turma canarinha chegou ao 4-1, com Maicon aos 55 minutos (com Quim mal batido) e Luís Fabiano aos 57, o que praticamente acabou com as esperanças lusas num bom resultado. Simão ainda reduziu para 4-2 aos 62 minutos, depois de uma boa combinação com Deco, mas a desorganização defensiva evidenciada era algo demasiado evidente, e seria difícil uma selecção com a qualidade do Brasil não aproveitar.

Elano aos 65 minutos (um grande golo do jogador Manchester City) e Adriano aos 90 minutos aumentaram a conta para a sua equipa para números humilhantes.
Portugal não perdia com o Brasil há 19 anos. O jogo serviu, portanto, para quebrar uma tendência recente, que apontava o sucesso das quinas nos jogos com o Brasil, depois de duas vitórias, no consulado de Scolari (2003 e 2007).
É necessário encontrar pontos de equilíbrio na selecção, para dar outro rumo à campanha de qualificação para o Mundial da África do Sul. Em Gama, contudo, Portugal esteve desequilibrado. E caiu. Goleado.
O que a Impresa desportiva internacional disse sobre o Brasil 6-2 Portugal
By PublicoPara o diário desportivo italiano “La Gazzetta dello Sport”, Portugal foi "desintegrado" no jogo em Brasília, enquanto o também transalpino “Tuttosport” e o francês “L'Équipe” utilizam as expressões "varrido" e "esfolado", respectivamente.
No Brasil, só o diário “O Globo” afirma que a selecção de Dunga "arrasa Portugal", havendo nos jornais brasileiros e europeus uma ideia comum: Luís Fabiano, autor de três golos, foi a estrela da noite, quando se esperava um duelo entre Kaká e Cristiano Ronaldo.
As edições online dos principais diários do Brasil frisam ainda que a goleada diminui a pressão sobre Dunga, depois de o "escrete canarinho" ter cedido três empates consecutivos em casa sem golos, em jogos de qualificação para o Mundial2010.
"Brasil transbordante, Portugal desintegrado", titula a edição online da “Gazzetta dello Sport”, segundo a qual o português Cristiano Ronaldo não passou de "um comparsa entre as estrelas de Dunga". "Para memória futura: não desafiem o Brasil. Nem mesmo quando parece em crise (zero golos nos três últimos jogos em casa), ou quando se está em vantagem de um golo depois de poucos minutos, a controlar o jogo", acrescenta o jornal italiano, aludindo ao facto de Portugal ter estado a ganhar por 1-0.
Sob o título "Show Brasil, Portugal varrido 6-2", a edição na Internet do “Tuttosport” diz que o "escrete" foi "esmagador", acrescentando que o jogo foi "uma bela lição de futebol para a selecção de Queiroz e para o possível futuro 'Bola de Ouro' Cristiano Ronaldo".
Segundo o jornal de Turim, a presença do extremo do Manchester United no jogo "pode ser tranquilamente definida como anónima", pois esteve "nervoso" e chegou mesmo a ver o cartão amarelo.
"O Brasil esfola Portugal", titula o “L'Équipe” online, segundo o qual "os jogos seguem-se e a impressão de que o Brasil mantém-se uma equipa capaz do pior e do melhor continua a fazer o seu caminho". De acordo com o diário desportivo francês, que também destaca os três golos do avançado dos espanhóis do Sevilha FC Luís Fabiano, "sem se mostrarem transcendentes no jogo, os companheiros de Kaká fizeram a diferença graças às suas individualidades".
"O resultado é histórico. Nunca o Brasil tinha marcado seis golos a Portugal. E isso também é lisonjeiro tendo em consideração que a 'Selecção' [do Brasil] brilhou mais pelos golpes de génio de algumas das suas estrelas do que por um real controlo colectivo", acrescenta o “L'Équipe”.
"Hat-trick de Luís Fabiano ajuda Brasil a bater Portugal", titula o diário generalista britânico “The Guardin”, que na sua edição online publica um texto da agência Reuters no qual se refere que o resultado deu "algum descanso ao cercado treinador Dunga". "Dunga foi gozado pelo público e parecia ter uma longa noite pela frente quando Danny inaugurou o marcador para os visitantes, ao desviar um cruzamento de Bruno Alves após quatro minutos", refere o “The Guardian”, recordando, porém, que Luís Fabiano empatou quatro minutos depois e colocou os locais em vantagem aos 25.
Em Espanha, as edições electrónicas dos desportivos “Marca” e “Ás” destacam Luís Fabiano e publicam um mesmo texto, da agência EFE, com o primeiro a titular "Brasil despede-se do ano com uma balsâmica goleada a Portugal" e o segundo "Brasil goleia Portugal com Luís Fabiano como estrela".
O texto sublinha o "carácter atacante de ambas as equipas" e que o jogo "serviu para aliviar o peso sobre o questionado seleccionador Carlos Dunga", adiantando que o duelo Kaká-Ronaldo ficou na sombra de Luís Fabiano. "O esperado duelo entre Kaká, eleito o melhor jogador do Mundo em 2007, e Cristiano Ronaldo, principal aspirante a ganhar o troféu este ano, terminou cedendo o protagonismo ao avançado brasileiro Luís Fabiano, autor de três golos no encontro", diz.
No Brasil, a “Folha de São Paulo” afirma que o "Brasil quebra jejum de golos em casa e goleia Portugal em amigável", recordando que "interrompeu uma série de três empates sem golos" em casa e não marcava qualquer tento como visitado há quase um ano, desde 21 de Novembro, por Luís Fabiano na vitória sobre o Uruguai (2-1). "Além disso, o Brasil quebrou um jejum de quase 20 anos sem vencer o rival desta quarta - a vitória anterior foi em 1989, numa goleada por 4-0 no Rio de Janeiro", lembra.
A “Folha de São Paulo” recorda que, nos três jogos disputados com Portugal desde então, o Brasil somou um empate e duas derrotas, uma das quais - por 2-0 num particular em Londres, em 2007 - foi a primeira de Dunga como seleccionador.
No mesmo sentido, os diários “O Globo” e “O Estado de S. Paulo” titulam, respectivamente: "Fácil. Em noite de Luís Fabiano, Brasil encerra seca de golos e arrasa Portugal de virada: 6 a 2" e "Brasil desencanta. Após três actuações fracas em casa, equipa faz 6 a 2 a Portugal".
"Nem Dunga imaginou ter um fim de 2008 tão bom. A surpreendente goleada por 6 a 2 sobre Portugal, ontem à noite, na cidade de Gama, a 40 quilómetros de Brasília, dá tranquilidade para o treinador buscar em 2009 a vaga para Mundial de 2010 na África do Sul. No encontro dos dois melhores do mundo, Kaká venceu Cristiano Ronaldo", diz o “Estado de S. Paulo”.
VídeoBrasil 6-2 PortugalDanny 5'
Luis Fabiano 9', 25', 57'
Maicon 56'
Simão 62'
Elano 65'
Adriano 90'
Fotos: APPágina Inicial