domingo, 25 de janeiro de 2009

Liga Portuguesa : 15ª jornada - FC Porto vence em Braga e fecha primeira volta na liderança. Benfica e Sporting empatam

Rodriguez festejava golo em Braga

O FC Porto conseguiu In Extremis virar para a segunda volta da Liga Portuguesa no primeiro lugar, tirando esse gosto ao Benfica e Sporting que partiam para esta 15ª jornada (última jornada da 1ª volta) com vantagem de 1 ponto sobre os actuais campeões nacionais. Uma vitória em Braga por 0-2 aliado aos empates do dois grandes de Lisboa permitiu aos portistas comandar uma das mais polémicas e emocionantes edições dos últimos tempos.

Não tem primado pela qualidade, aliás, muito pelo contrário, os erros de arbitragem têm centrado atenções e decidido muitos dos jogos, o que tem contribuido para a falta de verdade desportiva tão badalada entre a nossa sociedade. Outros factores altamente prejudiciais para quem acompanha os nossos jogos é a falta gritante de golos, simulação sistemática de faltas, falta de fair-play entre jogadores e dirigentes, anti-jogo, sistemas tácticos ultra-defensivos, ordenados em atraso, demasiados jogadores estrangeiros de baixo nível, jogos a horas indecentes, logo tudo isto leva cada vez mais à acentuada ausência de público e à iminente (senão já!) falência económica e de valores do futebol português. Resta a imprevisibilidade neste rol de baixo nível, saber que poderá ser campeão. Pelo menos isso!

Por mim, reduzia-se no final da temporada a Liga Portuguesa a 12 equipas com um modelo a três voltas, tal como se sucede na Escócia. Não dá sinceramente por mais respeitosos que sejam os clubes haver jogos com menos de 3000 espectadores e já estou a ser generoso. A continuar assim, não vejo futuro para a Liga. E já agora uma aposta. No final de época a secretaria vai voltar a funcionar, tal como nos últimos anos. O Estrela da Amadora vai garantir a manutenção no campo e vai ser despromovido por falta de pagamento de salários. Se nao for assim, pensem como o antigo capitão do FC Porto João Pinto: - " A equipa estava à beira do abismo, mas tomou a decisão correcta... Deu um passo em frente".

Lisandro marcava o segundo do Porto em Braga

Depois deste grito de revolta vamos lá falar desta última jornada (15ª) começando pelo jogo do FC Porto em Braga. Os minhotos entraram em campo com a mesma formação que alinhou e muito bem no Estádio da Luz. No Estádio AXA não foi diferente, tanto assim que remeteu totalmente o Porto à sua defensiva nos primeiros minutos, pressionando-o, quase sempre pelo corredor direito. Isto porque estava lá o recém contrato Cissokho (ex- Vitória de Setúbal)) e era esperado que o francês vacilasse com tamanha pressão de Alan, Aguiar e companhia. Apesar do ataque desenfreado do Braga, também foi certo que as oportunidades flagrantes de golo não aconteceram. A equipa de Jesualdo Ferreira aguentou a pressão, passou a circular melhor a bola e chegou à baliza do Braga aos 20minutos, num golo golo marcado por Cristian Rodriguez após passe de Hulk que estava em total posição irregular. O Braga acusou demasiado o golo e a organização do meio-campo, onde tinha superioridade numérica frente ao adversário, desmoronou-se.

Para complicar as coisas, o central brasileiro arsenalista Moisés teve uma enorme falha de marcação e dez minutos depois do primeiro o Braga estava a sofrer o segundo golo, desta vez por intermédio de Lisandro López. Foi o quinto golo sofrido pelos bracarenses em casa e o primeiro do argentino em 2009. Para tentar acabar de vez com as coisas antes do intervalo, o FC Porto pressionou ainda mais o Braga nos minutos finais e conseguiu mesmo mais um golo, por Tomás Costa, que havia entrado para substituir o lesionado Rodríguez. Só que o árbitro Paulo Costa invalidou-o e desta vez bem.

O Braga estava a precisar de Jesus e o intervalo chegou em boa altura. Correcções de posicionamento e homens novos em jogo: Meyong e Matheus, por troca com Mossoró e César Peixoto. No entanto, foi o Porto que entrou melhor, com duas grandes ocasiões para marcar (Tomás Costa e Lisandro). A partir daqui a equipa portista entregou ao Braga o controlo do jogo e tapou de forma eficaz os caminhos que iam dar a Helton. Aproveitando a presença de Tomás Costa, Jesualdo desenhou um 4-4-2 no relvado que se revelou seguro. Os minutos finais foram de natural pressão da equipa da casa e Paulo Costa voltou a ficar com as orelhas a arder. Três lances polémicos na área portista não chegaram para assinalar qualquer penálti. Pelo que ouvi na Rádio Renascença no final do jogo, Jorge Coroado disse que foram evidentes!

Vukcevic empatava na Estadio da Choupana

Lá bem no ponto mais alto do Funchal, Ilha da Madeira, o Sporting tinha em mente livrar-se do Benfica e assumir a liderança isolada, mas o Nacional não deixou. O jogo no Estádio da Choupana foi complicado. Os “leões” estiveram perto da derrocada na primeira parte, quando o Nacional desperdiçou uma grande penalidade que lhe daria o 2-0. Recuperaram perto do intervalo, empatando o encontro, e podiam ter dado a volta no segundo tempo, antes de um final de jogo em que ambas as equipas desperdiçaram boas oportunidades para vencer.

O guarda-redes leonino Rui Patrício e o avançado brasileiro Nené dos madeirenses acabam por ser os rostos do encontro. Estiveram no melhor e no pior das respectivas equipas. O brasileiro aproveitou um erro do guarda-redes leonino (estava adiantado e distraído) para lhe fazer um chapéu logo de belo efeito no primeiro remate da partida, aos oito minutos. O décimo golo do avançado brasileiro na Liga Sagres premiava o arrojo do Nacional, que entrava com um esquema táctico composto por três defesas e com Patacas e Alonso como alas. Um esquema (3x5x2) que permitiu à equipa de Manuel Machado bloquear o futebol do Sporting e provar que tem mesmo jeito para, pelo menos, complicar a vida aos “grandes”. A segurança defensiva tem sido uma das imagens de marca de Paulo Bento, mas desta vez, especialmente na primeira parte nem parecia ser a segunda melhor defesa. Já depois do brinde de Rui Patrício a Nené, foi a vez de Abel empurrar o avançado brasileiro na área (33’). Só que inverteram-se os papéis. Patrício passou a herói e Nené a vilão, já que o guarda-redes parou o remate que daria o 2-0 ao Nacional. Foi o primeiro sinal de que algo poderia correr bem ao Sporting. É que, até aí, não só se notava um grande desacerto defensivo, como se lhe podia acrescentar a desinspiração ofensiva. Izmailov não aparecia, Moutinho não decidia, Vukcevic andava perdido no meio dos defesas adversários. E nem Liedson, quando a bola lhe apareceu nos pés (18’), acertava na baliza. A primeira reacção leonina surgiu pelos pés de Rochemback, cuja potência de remate disfarça a falta de velocidade. Com dois belos disparos, o brasileiro assustou Bracali (29’ e 43’). O golo do empate surgiria já nos descontos da primeira parte. Por uma vez, Liedson libertou-se, Izmailov também e ofereceu o golo a Vukcevic, o goleador de serviço nos tempos que correm em Alvalade.

O Sporting voltou com outra disposição para a segunda parte e nem a perda de Vukcevic (saiu lesionado, aos 49’, vítima de um traumatismo craniano) afectou as melhorias. Moutinho pegou finalmente na batuta e o futebol do Sporting ganhou outra melodia. Carriço (57’), Izmailov (60’), Moutinho (84’) estiveram perto de marcar. Só que, por falta de pontaria ou acerto de Bracali, os “leões” não conseguiram dar a volta ao resultado. Liedson ainda colocou a bola na baliza, mas estava em fora-de-jogo. Numa segunda parte em que o Nacional apostou no contra-ataque (e passou a jogar em 4x3x3 após a entrada de Miguel Fidalgo), a incerteza durou até ao final. Os madeirenses poderiam ter garantido os três pontos, mas Nené atirou ao lado quando só tinha Patrício pela frente a três minutos do fim. E, logo a seguir, Moutinho rematou para mais uma defesa de Bracali, que segurou um empate de que ambos se podem queixar mas que acaba por dividir bem os méritos e deméritos de lisboetas e madeirenses.

David Suazo sempre bem vigiado no Restelo

O Benfica apresentou-se na sexta-feira numa noite de temporal no Estádio do Restelo como lider e até teve oportunidades mais que suficientes para levar a melhor sobre o Belenenses, mas acabou por sair como entrou, com 0-0, deixando os seus adversários com àgua na boca.

O treinador Quique Flores montou o esquema habitual, dando preferência à força de Yebda no meio-campo e mantendo Carlos Martins no banco. Optou ainda por recolocar David Suazo no vértice do ataque, apoiado por Pablo Aimar, com Di María a manter a titularidade apesar da recuperação de Reyes, e Rúben Amorim a voltar ao flanco direito. Com a também já usual forma de mastigar o jogo a meio-campo, com lançamentos longos para o veloz camisola 30, o Benfica até entrou em jogo a... desperdiçar. Aimar, se tivesse maior confiança, poderia ter colorido o marcador logo nos minutos iniciais, beneficiando de algum desacerto temporário da defesa do Belenenses. Aliás, foram dos pés e cabeça desta dupla que saíram os escassos lances de golo iminente na primeira parte. Se o Belenenses tremeu nos primeiros minutos, e à medida que a chuva se transformava em temporal, logrou recompor-se rapidamente e, com um meio-campo forte na recuperação, na pressão e desdobramento para o ataque, conseguiu equilibrar as operações e colocar em sentido o último reduto encarnado, onde Luisão e Miguel Vítor foram obrigados a trabalho apurado e acertado.

A tónica da partida manteve-se no segundo tempo e, mesmo sem conseguir ligar bem as jogadas ofensivas, por vezes quase aos repelões, o Benfica mantinha o cerco ao adversário que dava cada vez mais mostras de estar fisicamente encostado às cordas. Quique apostou em Reyes, depois Nuno Gomes e, finalmente, em Carlos Martins. O Benfica melhorou, já que Ruben Amorim e Di María pouco acrescentaram ao jogo ofensivo “encarnado”. E Aimar, com o passar do tempo, foi desaparecendo do teatro das operações. Mas esta aposta saiu tarde demais. E acabou por ser graças a Maxi Pereira a melhor defesa do guarda-redes belenense, com um remate de pé esquerdo à entrada da área. Foi o último fogacho da águia. Se as coisas estavam difíceis, a expulsão de Miguel Vítor veio piorar tudo para o lado do Benfica, aos 82’. O jovem jogador que ganhou o lugar a Sidnei – o brasileiro nem sequer foi convocado – deixou-se antecipar por Marcelo e depois derrubou-o a caminho da sua área. O segundo amarelo penalizou muito os “encarnados” e fizeram os de Belém crer nos pontos. Seis dias depois de ter vencido o Belenenses, no Estádio da Luz, por 1-0, em encontro da Taça da Liga, o Benfica foi incapaz de repetir a "dose.Desde o 0-6 na Madeira, contra o Marítimo, a 7 de Dezembro do ano passado, não vence fora.

Outros Jogos

Em Setúbal, um golo de Marinho aos 18 minutos garantiu o triunfo da Naval da Figueira da Foz sobre o Vitória de Setúbal por 0-1. O golo surgiu num remate de fora-de àrea, depois de um passe de Bolívia para a zona frontal, conseguindo um golo de belo efeito. Com o triunfo no Bonfim, a Naval deu um passo importante na fuga aos últimos lugares da tabela classificativa, mas complicou as contas ao Vitória de Setúbal, agora treinados por Carlos Cardozo.

Na Trofa, o Paços de Ferreira venceu por 1-3 num encontro em que a equipa de Tulipa
actuou durante boa parte do encontro em inferioridade numérica, devido à expulsão de Mércio, até foi o primeiro a marcar. Mas, depois de Reguila ter aberto o marcador o Paços de Ferreira foi mais competente na hora de concretizar: primeiro por Dedé (22), depois por Ferreirinha (69) e, por último, Cristiano (86), num golaço que vale pena ver. Por seu turno, o Estrela da Amadora venceu em casa o Rio Ave por 2-0 e foge cada vez mais dos últimos lugares. No encontro que abriu a jornada, o Maritimo empatou a zero com o Leixões num jogo que também teve polémica por um penálti não assinalado a favor dos madeirenses.

Resultados da 15ª jornada da Liga Portuguesa - Liga Sagres 2008/2009

Sp. Braga - FC Porto, 0-2 (Rodríguez 20' e Lisandro 31')
Belenenses - Benfica, 0-0
Nacional - Sporting, 1-1 (Nené 8'; Vukcevic 46')
Vitória Setúbal - Naval, 0-1 (Marinho 19')
Estrela Amadora - Rio Ave, 2-0 (Silvestre Varela 44' e Rui Varela 85')
Trofense - Paços Ferreira, 1-3 (Reguila 6'; Dedé 22, Ferreira 70' e Cristiano 84')
Marítimo - Leixões, 0-0
Académica - Vitória Guimarães, 2-1 (Lito 45' e Diogo Gomes 49'; Nuno Assis 56')


Classificação da Liga Portuguesa (Liga Sagres) 2008/2009

Tabela Classificativa da Liga Portuguesa

Vídeos

Sp. Braga 0-2 FC Porto
Rodríguez 20'
Lisandro 31'



Nacional 1-1 Sporting
Nené 8'
Vukcevic 46'



Belenenses 0-0 Benfica


V. Setúbal 0-1 Naval
Marinho 19'


E. Amadora 2-0 Rio Ave
Silvestre Varela 44'
Rui Varela 85'



Trofense 1-3 P. Ferreira
Reguila 6'
Dedé 22
Ferreira 70'
Cristiano 84'



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Fotos: AP

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4 comentários:

  1. Os portistas, sportinguistas e benfiquistas deviam colocar a mão na consciência quando falam de arbitragens. Nem deviam piar sequer, pois são sistematicamente beneficados.

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  2. Carlos Oliveira25 janeiro, 2009 21:55

    Grande Estrela da Amadora, a mostrar mais uma vez que é a equipa mais digna do futebol português, mesmo sem salários conseguem ganhar e estão cada vez mais perto do impensável a UEFA.

    Os ditos grandes deviam aprender alguma coisa com esta equipa, que não é grande é ENORME.

    Tricolor até morrer.

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  3. César Fernandes25 janeiro, 2009 22:26

    Jorge Jesus foi mais um jogo na PlayStation. Como as pessoas mudam de discurso de jogo para jogo.Tem de prestar vassalagem ao porto, porque se os zangam tiram de la metade da equipa como fizeram ao guimaraes. Foram roubados e nao bufem!

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  4. Eu vou mais longe Gonçalo, fazia uma petição ao Benfica para abandonar-mos esta porcaria de campeonato que temos em portugal que está mais que viciado. Os restantes clubes nao tem futuro, porque passam 1 época inteira à espera que o glorioso lhe vá encher os cofres. BENFIQUISTAS VAO APENAS A CATEGRAL E DEIXEM DE ENCHER BOLSOS A COMPADRIOS!

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